Alegadas pinturas de Picasso e Miró entre 278 obras apreendidas pela PJ em Penalva do Castelo

Alegadas pinturas de Picasso e Miró entre 278 obras apreendidas pela PJ em Penalva do Castelo

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu 278 obras de arte, alegadamente de autores como Pablo Picasso, Joan Miró, David Hockney, Albrecht Dürer, Pierre Bonnard e Juan Downey, em Penalva do Castelo, distrito de Viseu, foi hoje anunciado.

Lusa /
Rui Alves Cardoso - RTP

Em comunicado, intitulado "Mega apreensão da PJ resgata obras assinadas por Picasso e Miró", esta polícia revelou que, através da Diretoria do Centro, sediada em Coimbra, executou um conjunto de buscas, domiciliárias e não domiciliárias, que "levaram à apreensão de 278 obras de arte, alegadamente pertencentes a um cidadão norte-americano, falecido em 2024, e que se encontravam na posse de um seu antigo funcionário".

"Entre as apreensões, foram identificados trabalhos artísticos alegadamente executados por 27 autores diferentes, nomeadamente Pablo Picasso, Joan Miró, David Hockney, Albrecht Dürer, Pierre Bonnard e Juan Downey", explicou a PJ no comunicado, referindo tratar-se de "pinturas, litografias, serigrafias, esculturas e objetos de origem arqueológica, entre outros bens culturais".

Segundo a PJ, "algumas obras aparentam ser produções artísticas e arquitetónicas realizadas no período antes de Cristo, abrangendo a Pré-História e a Antiguidade".

"Do espólio, contam-se esculturas datadas entre o séc. I (a.C.) e o séc. XVIII, bem como artefactos arqueológicos dos períodos Neolítico, Greco-romano e de diversas origens, tais como a Pérsia, o Médio Oriente, a América Central e Sul, África, China e Síria", adiantou.

A PJ esclareceu que as diligências foram feitas "em estreita colaboração com peritos do Museu Nacional Machado de Castro" [Coimbra], sendo que as investigações prosseguem num inquérito do Departamento de Investigação e Ação Penal de Viseu.

À agência Lusa, o responsável da diretoria do Centro da PJ, Avelino Lima, afirmou que a investigação foi iniciada após um alerta da Museus e Monumentos de Portugal, na sequência da entrada no mercado de obras de arte de autores consagrados.

Avelino Lima adiantou que as buscas foram feitas na semana passada, tendo sido constituído arguido o antigo mordomo do cidadão norte-americano, suspeitando-se de que "iria tentar vender as obras de arte na posse dele, embora, em rigor, não fosse o proprietário delas".

Em causa podem estar crimes de abuso de confiança e branqueamento.

O arguido, com cerca de 70 anos, sem antecedentes criminais, vivia numa casa próxima da do norte-americano. Este último tinha adquirido uma vivenda em Penalva do Castelo.

Destacando tratar-se de uma "apreensão incomum", dada a "quantidade, diversidade, antiguidade e valor" das obras de arte, o diretor da Diretoria do Centro da PJ esclareceu que se segue um "conjunto muito alargado de diligências" para apurar a "autenticidade, real propriedade e proveniência" daquelas.

"As obras de arte têm de ser sujeitas a perícias. Os primeiros indicadores apontam no sentido de não haver grandes dúvidas sobre a autenticidade", declarou Avelino Lima.

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