Alegado burlão disfarçado de padre conhece sentença a 16 de Dezembro

A sentença de um homem que se terá disfarçado de padre e passado um cheque de 19 mil euros sem cobertura vai ser lida dia 16 no Tribunal de Caminha, disse fonte judicial.

Agência LUSA /

Segundo a fonte, o tribunal vai, entretanto, pedir informações às autoridades eclesiásticas para confirmar se o arguido é mesmo padre e solicitar a realização de um exame pericial à sua capacidade mental, para aferir da sua eventual inimputabilidade.

O caso remonta a Agosto de 1998, quando Manuel Fernando Leite Martins, envergando um "cabeção" identificativo dos padres, terá contactado um residente de Vilarelho, Caminha, para lhe comprar uma auto-caravana, que terá pago com um cheque de 19 mil euros, sobre o Banco Central-Hispano.

Segundo contou o burlado, o "padre" Manuel Martins "mostrou muita pressa" em fechar o negócio, alegando que ainda tinha de ir fazer um funeral a Fafe.

Como o homem usava cabeção e apresentava "aquele ar bonacheirão de padre de aldeia", o proprietário da auto-caravana nem sequer pensou que poderia estar a ser burlado, até que o seu banco o informou de que o cheque não tinha cobertura.

Após várias tentativas inglórias para encontrar o burlão, o proprietário foi informado, em Janeiro de 1999, de que a caravana se encontrava abandonada na Serra de Santa Eulália, em Vila do Conde, depois de uma perseguição de que fora alvo pela polícia, na Maia, por não ter obedecido a uma operação stop.

Nesta perseguição, a caravana foi alvejada e um dos pneus rebentado, até que se imobilizou, tendo o condutor, Manuel Martins, fugido numa mota que o esperava.

Desde então, e por a auto-caravana ainda continuar em seu nome, o proprietário de Vilarelho já teve que se apresentar por quatro vezes em tribunal, as mesmas em que o padre burlão foi julgado por emissão de cheques carecas a fim de pagar refeições e combustíveis.

Numa outra ocasião, o "padre" Manuel Martins terá enterrado a auto-caravana na areia, no Camarido, Caminha, chamando depois um reboque, cujo serviço pagou com um cheque de 25 euros, igualmente "careca".

Manuel Martins, casado, pai de três filhos, natural de Amarante e com domicílios na Trofa e em Porriño, na Galiza, Espanha, onde disse possuir um restaurante, afirmou perante o colectivo de juízes em Caminha que é padre ao serviço da "Igreja Católica Apostólica Romana Ortodoxa" e que a sua religião "é reconhecida pelo Estado português".

Acrescentou que os seus superiores hierárquicos estão em Mafra e garantiu que "dava missa" em Santiago de Compostela, na Galiza.

Neste momento, está detido no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira.


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