Alterações na Av. da Liberdade vão provocar atropelamentos e mais trânsito

Lisboa, 28 mai (Lusa) -- O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) criticou hoje as alterações que a câmara de Lisboa quer fazer na Avenida da Liberdade, afirmando que vão provocar mais atropelamentos, mais trânsito e não vão retirar a poluição da zona.

Lusa /

"É um disparate completo. Não tem pés nem cabeça. O (vice-presidente) Manuel Salgado já conseguiu acabar com o comércio na baixa, agora quer matar o da Avenida da Liberdade", disse Carlos Barbosa à agência Lusa.

Segundo uma proposta que a Câmara de Lisboa vai colocar em discussão pública até ao final de junho, a Avenida da Liberdade vai ter, na sua quase totalidade, apenas duas faixas de rodagem em cada sentido, o sentido do trânsito nas faixas laterais vai ser mudado e no Marquês de Pombal serão criadas duas rotundas concêntricas separadas por um espaço verde.

A autarquia pretende ainda experimentar estas alterações entre setembro e o final de dezembro.

A proposta, que é uma tentativa da autarquia para tirar automóveis e reduzir a poluição naquela zona da cidade, foi aprovada na quarta-feira depois de mais de mais de três horas de discussão, com as abstenções do PSD, do PCP e do CDS-PP.

Afirmando que "quem polui são os transportes públicos, não são os privados e isso está mais do que provado num estudo que a câmara fez", Carlos Barbosa frisou que acabar com a poluição é "facílimo: façam um elétrico rápido do Marquês até ao Rossio ou ao Terreiro do Paço e deixam de ter este prolema".

O presidente do ACP disse ainda que a mudança de sentido nas laterais da avenida "vai provocar imensos atropelamentos".

"Já acontece entre a rua Alexandre Herculano e o Marquês do lado esquerdo (da avenida). Mudaram o trânsito e já houve três atropelamentos nesse bocadinho", afirmou.

Carlos Barbosa criticou também o facto de não se poder descer ou subir a avenida ou subir de uma só vez pelas laterais, afirmando que "para se ir a uma loja qualquer tem de se ir ao Marquês ou aos Restauradores".

Quanto à redução de faixas na Avenida da Liberdade, o responsável considera que vai agravar o trânsito e exemplificou: "telefonei há pouco tempo ao [vereador da mobilidade] Fernando Nunes da Silva. Estava na baixa e expliquei-lhe que demorei 23 minutos a subir a Avenida da Liberdade e 30 a descê-la, com o número de faixas atuais. Ele respondeu que era por causa do atravessamento da Alexandre Herculano, que vai continuar. Com uma faixa só...".

Sobre as duas rotundas no Marquês de Pombal, disse que "vão ser de gargalhada".

"As pessoas que vêm da Joaquim António de Aguiar e que queiram ir para a Duque de Loulé ou a Braamcamp vão ter de ir pela de fora e na de fora é onde vão estar os transportes públicos, incluindo os transportes de turistas que estão no parque Eduardo VII. Vai ser o pânico total", afirmou.

O responsável disse ainda que "gostava de ver o estudo que diz que 2.500 veículos vão ser desviados na hora de ponta e que 30 por cento vai ser a redução do número de `para-arranca` na hora de ponta".

Lembrando que a câmara de Lisboa "não tem dinheiro", Carlos Barbosa sublinhou que vão ser gastos "cerca de meio milhão de euros para fazer esta experiência".

O presidente do ACP disse ainda que vai ter uma reunião com o vereador da Mobilidade, Nunes da Silva, na terça-feira, na qual irá "testemunhar o erro que isto é".

 

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