Alunos do ISEP desenvolvem equipamento que reduz o consumo de energia dos electrodomésticos

Porto, 6 Abr (Lusa) - Dois alunos do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) desenvolveram um sistema que permite reduzir o consumo dos electrodomésticos e poupar cerca de um mês na factura anual da luz, estando agora à espera de parcerias para o desenvolvimento do negócio.

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Uma espécie de ficha tripla, com um componente que permite dar ordem para desligar a um qualquer comando à distância, é o que é preciso - segundo os alunos do ISEP - para reduzir o consumo de energia dos electrodomésticos em mais de 90 por cento.

"Ao fim de um ano, isto representa um mês de poupança na factura de energia, tendo em conta um agregado familiar médio, de quatro pessoas", assegura Rudolfo Martins, o aluno de mestrado do ISEP que desenvolveu o projecto em colaboração com o colega Pedro Ribeiro.

O projecto, que obteve uma menção honrosa no concurso "Ideias Luminosas" da EDP, visa a redução do consumo de energia de aparelhos audiovisuais e informáticos, quando estes não estão desligados na tomada

"Quando desligamos um aparelho no comando, ele não fica desligado. Fica em stand by. E este consumo não é desprezável", afirma Rudolfo Martins, alertando que desligar o aparelho no botão não é suficiente para eliminar totalmente o gasto de energia.

"Mesmo carregando no botão, o consumo do aparelho é sensivelmente o mesmo. Só desligando na tomada é que não há gasto de energia", assegura.

Os estudantes resolveram, por isso, criar um equipamento que reduz os consumos dos aparelhos em espera em "mais de 90 por cento" e que se adapta aos "hábitos de um certo comodismo e preguiça dos portugueses".

"A mais valia do equipamento é que vai ao encontro dos hábitos tradicionais das pessoas. Pode usar-se o equipamento através de um comando. Este conceito não implica uma mudança de hábitos, aproveita-os".

Assim, com este equipamento, a poupança fica à distância de um simples comando de televisão, desde que se aplique ao aparelho uma espécie de ficha tripla.

"É um equipamento semelhante ao de uma régua digital, vulgarmente conhecida como uma ficha tripla com um botão para desligar. É ligado a uma tomada normal, mas tem um fio com um componente que fica, muito discretamente, ligado ao aparelho e que serve para dar ao comando a ordem necessária", esclarece Rudolfo Martins.

O preço do aparelho seria, de acordo com os estudantes, "muito semelhante ao das fichas triplas com botão", devendo o preço final para o público situar-se "entre os dez e os 15 euros".

Os alunos estão ainda a trabalhar na fase de protótipo, mas asseguram que passar ao produto final "não exige grande dose de engenharia".

O obstáculo à produção, é, por isso, a falta de "parcerias de entidades com capacidade produtiva", sustenta Rudolfo Martins.

Os dois engenheiros, que estão a fazer um mestrado em Engenharia Electrotécnica no ISEP, têm já a sua própria empresa, a Evoleo Technologies.

ACG.

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