Ambientalistas "limpam" chorões das areias na Fortaleza de Sagres
Ambientalistas do Algarve promovem sábado de manhã uma jornada para arrancar da zona da Fortaleza de Sagres o chorão das areias, planta exótica que dizem ser uma praga e prejudicar a flora autóctone, anunciou fonte da organização.
A iniciativa, inédita na zona de Sagres, surge integrada no programa "Dias Verdes - conhecer a Rede Natura", da responsabilidade do Instituto para a Conservação da Natureza.
O objectivo é sensibilizar a população, demonstrando que aquela planta "leva ao desaparecimento das espécies autóctones e, ao contrário do que se pensava, não ajuda à fixação das dunas", explicou à Lusa Luís Brás, da Almargem, associação de Defesa Ambiente.
Trazido de África e introduzido em Portugal nos séculos XV e XVI, o chorão das areias "é uma praga em zonas litorais, afectando as zonas protegidas, como o Parque Natural da Costa Vicentina", adiantou Luís Brás.
Com o nome científico de carpobrotus edulis, é uma planta rasteira de aspecto carnudo, com uma flor cor-de-rosa.
Encontra-se plantada nas dunas e zonas ajardinadas porque se pensava que segurava as areias e que era "resistente", mas a verdade é que "compete com a flora autóctone", nomeadamente entre o Cabo de São Vicente e Sagres, disse o ambientalista.
A vereadora da Câmara de Vila do Bispo com o pelouro do Ambiente, Paula Monteiro, acrescentou à Lusa que a preocupação em eliminar os chorões das areias é muito grande e a autarquia está mesmo a elaborar uma campanha de sensibilização para proteger as espécies autóctones.
A iniciativa de "ataque" aos chorões das areias realiza-se a partir das 10:00 de sábado e o encontro entre voluntários e ambientalistas é à porta da Fortaleza de Sagres, um símbolo do património nacional.
"Escolhemos a Fortaleza de Sagres pois verificámos que o chorão está a invadir esta zona", adiantou Alexandra Cunha, presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), no Algarve, entidade envolvida também na organização da iniciativa.
Arrancados à mão, os resíduos verdes serão transportados para contentores e levados para a Central de Compostagem do Aterro Sanitário do Barlavento.
Os voluntários que queiram participar na actividade de controlo e erradicação da espécie exótica devem levar luvas de jardinagem, um pequeno sacho, botas de campo e protector solar, avisa a organização.