Aniversário do Telescópio Espacial Hubble assinala também o seu fim

O Telescópio Espacial Hubble celebra domingo quinze anos, embora esta data assinale também o fim de um dos maiores projectos científicos de sempre, pois a falta de dinheiro para reparar avarias condena-o a desaparecer em dois anos.

Agência LUSA /

O Telescópio Espacial Hubble foi lançado e colocado em órbita da Terra no dia 24 de Abril de 1990, uma data que será comemorada pela NASA (Agência Espacial Norte-Americana) e a ESA (Agência Espacial Europeia), representada em Portugal pela Fundação Navegar, do Centro Multimeios de Espinho.

Para assinalar o acontecimento, a ESA desenvolve uma série de actividades, em colaboração com parceiros de toda a Europa, entre as quais o lançamento de um filme documentário em DVD sobre o Hubble, a ser distribuído a 30 de Abril, e a divulgação a 25 de Abril de imagens inéditas captadas pelo telescópio.

Segundo Pedro Russo, astrónomo da Fundação Navegar, esta é uma altura importante para celebrar o aniversário do telescópio espacial, porque cada vez se fala mais do fim do Hubble.

"O telescópio tem algumas falhas por reparar, mas para isso é preciso uma viagem espacial, só que a NASA não tem orçamento para essa missão", explicou.

De acordo com este responsável, o telescópio tem que ser reparado e a sua órbita corrigida (porque tende a começar a descer para a Terra) de tempos a tempos, "quase como uma revisão".

O Telescópio Espacial Hubble foi desenhado para durar 15 anos, o que significa que termina agora a sua vida útil, mas foi programado para durar mais cinco anos, desde que faça as devidas revisões.

Como estas não podem ser feitas por falta de orçamento da NASA, o tempo de vida restante do Hubble está previsto em cerca de dois anos, e a partir daí inicia uma órbita descendente em direcção à Terra e cai no meio do Oceano Pacífico, de modo controlado, salientou.

Enquanto observatório no espaço, o Hubble é um projecto grandioso que causou um enorme impacto tanto em termos de resultados científicos como em atracção para o público.

"Este telescópio espacial foi um instrumento único de astronomia, criado em honra de um astrónomo do qual herdou o nome, e foi responsável por avanços importantes e descobertas científicas", afirmou o astrónomo.

Ao longo destes últimos 15 anos, o Hubble ajudou os astrónomos a calcular a idade precisa do universo (13,7 mil milhões de anos) e a confirmar a existência de uma estranha forma de energia chamada energia negra.

Detectou também pequenas proto-galaxias que emitiram a sua luz quando o universo ainda tinha menos de mil milhões de anos, provou a existência de gigantescos buracos negros, forneceu imagens nítidas de um cometa a colidir com Júpiter e mostrou que o processo de formação de sistemas planetários é comum em toda a galáxia.

O Hubble tirou mais de 700 mil fotografias de objectos celestiais como galáxias, estrelas a morrer e gigantes nuvens de gás onde as estrelas nascem.

Algumas destas imagens, bem como toda a história do projecto do telescópio desde que foi lançado estão compiladas no filme do "Hubble: 15 anos de descoberta", produzido pela ESA.

Segundo Pedro Russo, este é "um documentário científico feito de propósito para o aniversário e deverá ser o filme do género com a maior divulgação de sempre, com mais de 500 mil cópias distribuídas".

O documentário, que será distribuído com o jornal Expresso no dia 30, tem a duração de 83 minutos, é narrado em três línguas e legendado em 15, entre as quais português.

Além da distribuição do filme, estão previstos mais de 40 eventos por toda a Europa, incluindo uma nova sessão sobre o Hubble a estrear no dia 24 em vários planetários europeus. Em Portugal é o planetário do centro Multimeios de Espinho que assegura a estreia.

O centro de Espinho inaugura também uma exposição com as imagens do telescópio e apresentará uma palestra sobre o tema.

A exposição fotográfica passa ainda pela FNAC NorteShopping, no Porto, e FNAC Colombo, em Lisboa.

As palestras ocorrerão também na FNAC do Gaiashopping, em Gaia, tendo como convidado o astrónomo Pedro Viana, do grupo de trabalho de Astronomia da ESA da Universidade do Porto, e na FNAC do Colombo, onde o convidado será Pedro Russo.

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