Ano Internacional dos Voluntários chega a Portugal para tentar valorizar voluntariado
A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) apresentou hoje uma série de iniciativas para assinalar o Ano Internacional dos Voluntários 2026, aproveitando para pressionar o Governo a rever a lei-quadro e preparar um plano estratégico para o setor.
"Hoje, para ser voluntário, não basta ter uma dimensão filantrópica daquilo que é o exercício do voluntariado, mas temos que o inserir na prática da cidadania que cada português é chamado a exercer na sustentabilidade da democracia participativa", afirmou à Lusa Eugénio Fonseca, à margem da apresentação do ano internacional, uma iniciativa da ONU.
A CPV quer promover o papel dos coordenadores locais de voluntariado, aumentar a "formação mais específica a cargo das instituições que integram voluntários ou instituições" do setor e pretende também o reconhecimento do setor por parte da sociedade e do poder político, explicou o responsável, que esteve hoje em Gaia, na cerimónia de atribuição do galardão de capital portuguesa do voluntariado 2026.
Na sessão em Lisboa, a CPV apresentou várias ações que vão compor as celebrações em Portugal do Ano Internacional dos Voluntários, que incluem encontros de coordenadores, um fórum nacional, um festival jovem, bem como um congresso, entre várias matérias, que incluem ainda um encontro de coordenadores dos bancos locais de voluntariado, distribuídos por mais de cem cidades.
Em paralelo, os promotores querem criar um Conselho Estratégico do Voluntariado, procurando recolher "propostas e apoios para a realização de um Plano Estratégico" em Portugal até 2030.
A organização está a recolher para uma plataforma todas as iniciativas ligadas ao ano internacional e uma plataforma, denominada Portugal Voluntariado Portugal, onde estará o "máximo de informação atualizada e relevante para o conhecimento e participação" dos cidadãos.
"Portugal precisa de criar condições para que ninguém fique, por razões económicas ou financeiras, impossibilitado de praticar o voluntariado e este reconhecimento passa pela criação de condições para o exercício da prática", com um reconhecimento das atividades, explicou Eugénio Fonseca.
Numa "sociedade marcada pelo individualismo, que é marcada pela financeirização daquilo que são as relações económicas, o voluntariado vem afirmar que em primeiro lugar a dignidade humana", salientou.
"Ou nos perdemos ou nos salvamos todos em conjunto e cada vez mais estamos a perceber, pela conjuntura mundial e europeia, como é importante estarmos unidos, porque há ações que não se pagam com dinheiro e quanto mais valor acrescentado têm mais não têm preço", acrescentou.
Eugénio Fonseca admitiu que a CPV tem sentido uma "grande dificuldade em que os órgãos de comunicação social abordem o tema" que envolve a vida de "milhares de pessoas todos os dias em Portugal".
"O voluntariado tem um valor económico que já contribui para cerca de 2% do PIB português" e "às vezes a ideia que se passa é que somos um país alheado", mas "a verdade não é essa".
"Todos os dias, em várias áreas e em várias organizações, há ações de gente que doa o seu tempo sem esperar nada em troca em termos materiais e reforçam o sinal de esperança para que este país não seja visto numa perspetiva tão negativa", acrescentou ainda.