ANS espera que ministro concretize intenção de ouvir associações militares (C/ÁUDIO)

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Lisboa, 06 Nov (Lusa) - O presidente da Associação Nacional de Sargentos disse hoje que espera que o ministro da Defesa concretize a intenção de ouvir as associações militares, fazendo votos para que Severiano Teixeira passe das palavras aos actos.

"Vejo com muito interesse que o senhor ministro finalmente tenha percebido que as associações também têm de ser ouvidas, agora seria bom que o senhor ministro definisse o que é que é esse tempo e local certos, porque efectivamente já não é a primeira vez que ouço o senhor ministro dizer isso e depois nada ocorre", afirmou à Lusa o presidente da associação, António Lima Coelho.

O presidente da ANS recordou que essa promessa já tinha existido e que o ministro tinha "dito claramente" que quer manter um contacto regular com as associações.

"Isto já foi há muito mais de ano e meio e até hoje nada mais aconteceu",disse Lima Coelho, acrescentando: "Efectivamente todas as pessoas podem corrigir as suas acções e folgo que o senhor ministro tenha dito isso, agora é importante que não fique apenas por ser mais um dito e que se materialize essa intenção, cá estamos e sempre estivemos para colaborar e contribuir na feitura das soluções e não apenas no levantar de problemas".

O ministro da Defesa afirmou hoje no Parlamento que as chefias militares têm transmitido ao Governo "as preocupações e expectativas" das Forças Armadas e assegurou que as associações serão ouvidas "no momento próprio" e no âmbito da lei.

"As chefias militares têm transmitido ao Governo as preocupações e as expectativas das Forças Armadas. As questões estão identificadas e o Governo está a trabalhar no sentido da resolução dessas questões", afirmou Severiano Teixeira, acrescentando que a "resolução está a ser trabalhada com as próprias chefias".

Questionado sobre os resultados do apelo feito na quarta-feira, para que os militares de todas as unidades do país faltassem ao almoço em forma de protesto, Lima Coelho remeteu uma resposta definitiva para mais logo, mas adiantou que os números já disponíveis são "reveladores".

"Neste momento vamos tendo algumas informações ainda dispersas, estamos a apelar aos nossos camaradas que nos enviem e concentrem essa informação para fazermos uma apresentação resumida, mais geral, esta noite, em Viseu, no encontro que vamos ter (...) no entanto, posso dizer que os dados que nos vão chegando são reveladores de que tinhamos razão na necessidade de demonstrar este mal-estar, os níveis de adesão são, de facto, elucidativos de que há alguma coisa que não corre bem no seio das Forças Armadas", explicou o sargento.

A Associação Nacional de Sargentos inicia hoje em Viseu "uma ronda de reuniões regionais", com o objectivo de discutir com os militares de vários pontos do país a situação actual no sector e também as verbas previstas para a Defesa no Orçamento de Estado 2009.

Sobre uma possível demissão dos chefes militares, como forma de pressionar o poder político a tomar decisões, António Lima Coelho garantiu que esse é "um cenário que não colocaria".

"Isso é um cenário que eu não colocaria (...) a demissão é o último passo da desistência (...) imaginemos que um outro chefe militar que viesse ocupar o lugar e viesse com o mesmo espírito de servir o melhor possível. Encontraria as mesmas dificuldades, porque a questão não reside nas pessoas que ali estão, mas sim nos meios facultados pelo poder político, se este não dá os meios para que os chefes executem a sua missão com todas as condições não adianta estar a demitir seja quem for", defendeu.

ATF/SF.


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