Anti-depressivo vendido em Portugal associado a malformações
Um especialista em farmacovigilância revelou que o consumo do antidepressivo paroxetin, à venda em Portugal, durante o primeiro trimestre da gravidez aumenta as probabilidades de malformações congénitas e cardiovasculares da criança.
Alexander Cole, investigador universitário norte-americano, especialist a em segurança dos medicamentos, apresentou em Lisboa um estudo que decorreu no ano passado e visou avaliar os riscos do antidepressivo paroxetina (substância a ctiva) durante o primeiro trimestre da gravidez.
O estudo foi apresentado durante a 22ª Conferência Internacional sobre farmacovigilância, que decorre até domingo no Centro de Congressos de Lisboa.
Em Portugal existem vários medicamentos à venda com a paroxetina como s ubstância activa, nomeadamente genéricos, todos eles só vendidos mediante receit a médica.
Este medicamento está indicado para o tratamento de episódios depressiv o major (depressões graves), perturbações obsessivo-compulsivas, de pânico, de a nsiedade generalizada e perturbações pós stress traumático.
No resumo das características deste medicamento, autorizado pela autori dade portuguesa do sector, existe um capítulo dedicado à gravidez e amamentação, no qual se lê que "alguns estudos epidemiológicos sugeriram um aumento ligeiro do risco de malformações cardiovasculares (por exemplo defeitos do septo ventric ular, na maioria, e auricular), associado à utilização de paroxetina durante o p rimeiro trimestre de gravidez, sendo no entanto o mecanismo desconhecido".
"Os resultados sugerem que o risco de uma criança nascer com defeitos c ardiovasculares após exposição materna à paroxetina é menor que 2/100, comparado com uma taxa esperada destes defeitos de aproximadamente 1/100 na população em geral" e que "os dados disponíveis não sugerem um aumento da taxa global de malf ormações congénitas".
Contudo, e de acordo com Alexander Cole, um estudo realizado no ano pas sado apurou uma associação entre a paroxetina e as malformações congénitas e car diovasculares.
O especialista lembrou que a autoridade norte-americana para o medicame nto (FDA) já havia solicitado, em 2005, a realização de um estudo que avaliasse os efeitos nas crianças dos antidepressivos administrados durante os primeiros m eses de gravidez.
O estudo hoje apresentado avaliou as crianças nascidas de mulheres com idades entre os 12 e os 49 anos que consumiram este antidepressivo no primeiro t rimestre da gestação.
No ano passado, o medicamento foi associado a episódios de suicídio nos jovens que o consumiram.
No Resumo das Características do Medicamento, o Instituto Nacional da F armácia e do Medicamento (Infarmed) lembra que, entre os vários efeitos adversos registados em ensaios clínicos de curta duração deste fármaco, foi identificado um "aumento dos comportamentos suicidas (incluindo tentativas de suicídio e pen samentos suicidas), comportamentos de auto-agressão e aumento da hostilidade".
"Os pensamentos suicidas e tentativas de suicídio foram observadas prin cipalmente em ensaios clínicos em adolescentes com perturbação depressiva major" , lê-se no documento.
Os medicamentos com paroxetina vendidos em Portugal são de receita médi ca obrigatória e comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).