António Costa, o ministro que quer governar Lisboa
António Costa, que trocou o Governo pela corrida eleitoral pelo PS a Lisboa, a maior Câmara do país, foi o "número dois" de José Sócrates e nunca escondeu que seria um desafio gerir o município da capital.
Entrou na Juventude Socialista aos 14 anos, e ascendeu rapidamente dentro da hierarquia socialista, desempenhando quase todos os cargos possíveis tanto no partido como no governo - foi autarca, secretário de Estado, ministro de Justiça, Assuntos Parlamentares, de Estado e da Administração Interna.
A possibilidade de se candidatar à Câmara de Lisboa já se pusera nas últimas eleições autárquicas, mas em 2005 optou por ficar em Estrasburgo, onde foi eurodeputado e vice-presidente do Parlamento Europeu, até José Sócrates o chamar para o Governo, após a vitória do PS, com maioria absoluta, nas legislativas desse ano.
António Luís Santos da Costa nasceu em Lisboa, a 17 de Julho de 1961, filho da jornalista Maria Antónia Palla e do escritor e técnico de publicidade Orlando Costa, goês e militante do PCP.
Aos dez anos, com o pseudónimo "Babuch" (menino, em dialecto concani, de Goa), já escrevia críticas de televisão para o Século Ilustrado e conta que decidiu ser socialista aos 12 anos - a mesma idade em que a personagem de policiais Perry Mason o "convenceu" a tornar-se advogado.
Aos 14 anos inscreveu-se na Juventude Socialista (JS), estrutura em que iniciou a sua actividade dirigente, ganhando especial notoriedade no movimento académico e ao dinamizar a Convenção da Esquerda Democrática, em 1985.
Apesar da sua influência nas decisões da JS, nunca ocupou a liderança dos "jotas" e recentemente, em entrevista, também já excluiu ser secretário-geral do PS, afirmando que tem essa "certeza absoluta" - mas reconhecendo uma "incapacidade absoluta em convencer os outros" dessa certeza.
Licenciado em Ciências Jurídico-Políticas pela Faculdade de Direito de Lisboa e com uma pós-graduação em Estudos Europeus pela Universidade Católica, o político com quem Mário Soares disse mais se identificar "enquanto jovem" esteve desde sempre ligado ao sampaísmo - do qual se distanciou apenas nos governos de Guterres.
António Costa estagiou no escritório de advogados do ex- Presidente da República Jorge Sampaio e foi promovido à direcção nacional do PS por Vítor Constâncio.
Apoiou Sampaio para a liderança do partido contra António Guterres, em 1992, e foi director de campanha do ex-chefe de Estado para as presidenciais de 1996.
Depois de dois anos como deputado, em 1993 não conquistou a Câmara Municipal de Loures à CDU por poucas dezenas de votos, mas ficou famosa a corrida que organizou entre um burro e um Ferrari na Calçada de Carriche à hora de ponta - ganha pelo burro - para demonstrar os graves problemas de acessibilidade ao concelho de Lisboa.
Apesar da derrota, a campanha dar-lhe-ia, pela primeira vez, notoriedade mediática e ficou como vereador até integrar o primeiro Governo de António Guterres como secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares - segundo Almeida Santos, "talvez o melhor de sempre" no cargo.
Convidado por Guterres, recusou substituir António Vitorino na pasta da Defesa, constando que alegou não ter os cabelos brancos necessários para merecer o respeito das chefias militares, e acabou promovido a ministro dos Assuntos Parlamentares, herdando ainda o dossier da Expo`98.
Benfiquista, agnóstico, casado e com dois filhos, António Costa é definido como um político seguro de si, irrequieto, persistente e temperamental - dá murros na mesa e eleva a voz nas discussões mais acesas - e elogiado pela habilidade política e capacidade de negociação.
Outros chamam-lhe "manobrador e maquiavélico" e chegam a compará-lo ao russo Rasputine, pelo prazer que lhe dão os jogos de bastidores, imagem que se acentua quando confessa a sua admiração pelo ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa, de quem foi aluno.
Como modelos, António Costa aponta os antigos governantes Churchill e Gorbatchov, "por terem introduzido grandes e importantes mudanças neste século", bem como o ex-primeiro-ministro francês Michel Rocard, "pela capacidade de renovação das ideias socialistas".
Ministro da Justiça no segundo Governo da "nova maioria" socialista, foi um dos quatro dirigentes que decidiram a sucessão de Guterres após as autárquicas de 2001 e, com Ferro Rodrigues como secretário-geral, esteve como líder parlamentar na oposição ao executivo de Durão Barroso, lugar que abandonou para ser o número dois do PS às eleições europeias.