António Guterres em silêncio sobre despenalização do aborto

António Guterres em silêncio sobre despenalização do aborto

O alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e ex-primeiro-ministro, António Guterres, tem mantido até ao momento o silêncio sobre o referendo do próximo domingo à despenalização do aborto até às dez primeiras semanas de gravidez.

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa

Contactado telefonicamente pela agência Lusa, hoje, ao início da tarde, An tónio Guterres recusou-se a comentar, alegando estar a participar "numa reunião muito importante".

Em posteriores contactos telefónicos feitos pela agência Lusa, o ex-primei ro-ministro não atendeu.

Em termos políticos, o secretário-geral do PS entre 1992 e 2002 não tem to mado qualquer posição pública sobre as principais questões em debate.

Desde a posse do Governo de José Sócrates, em Março de 2005, António Guter res integrou a Comissão de Honra da candidatura presidencial de Mário Soares, ma s não marcou presença em nenhum evento público.

Enquanto primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Guterres acor dou com o então presidente do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, uma revisão constitu cional em 1997, na qual se abriu a possibilidade de realização de referendos.

Com Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres acordou depois a realização de dois referendos em 1998: um sobre interrupção voluntária da gravidez e outro sobre regionalização.

No referendo de 1998, apesar de o PS não ter então adoptado uma posição of icial, António Guterres fez apenas uma declaração pública a defender o "não" e r ecusou-se a ter um papel activo ao longo da campanha, que derrotou a despenaliza ção do aborto.

A posição de relativa distância de António Guterres face ao debate então t ravado entre os defensores do "sim" e do "não" deveu-se ao facto de a maioria do s dirigentes do seu partido ser a favor da despenalização do aborto.

Na presente campanha, o nome do ex-primeiro-ministro apenas surgiu por uma vez, quando o dirigente socialista António Vitorino, no final de Janeiro, duran te uma sessão promovida pelo PS, em Lisboa, fez a defesa política de António Gut erres na questão do aborto.

Segundo António Vitorino, a derrota do "sim " no referendo sobre aborto de 1998 deveu-se às "posições radicais" assumidas por muitos defensores da despena lização do aborto e não ao facto de o então primeiro-ministro ter uma posição pe ssoal a favor do "não".

PUB