Após a destruição é tempo da reconstrução
As vítimas mortais subiram a 40 e os feridos a 120. O cenário continua a ser de destruição e muitas pessoas continuam desaparecidas o que faz imaginar um balanço pior, mas a Madeira começa lentamente a sarar as feridas. José Sócrates levou a João Jardim todo o apoio do governo central. As ajudas começam a chegar ao território que ainda tem zonas isoladas.
Os bombeiros começaram já as operações de remoção dos escombros e do entulho arrastado pela enxurrada de água. Nas ribeiras que atravessam o Funchal tentam remover o entulho e as pedras para que o leito do ribeiro possa descer ao seu nível habitual.
Existem ainda algumas localidades em que as populações isoladas fazem apelos por ajuda, e entre elas estão o sítio das Eiras no Monte, da Serra d'Água, Furna e Pomar da Rocha, bem como na costa norte entre S. Vicente e Porto Moniz, e as comunicações continuam a ser difíceis.
O primeiro-ministro, José Sócrates, acompanhado pelo ministro da Administração Interna, Rui Pereira, efectuou uma visita não prevista ao território onde para além de visitar alguns dos locais mais atingidos do Funchal, esteve reunido com o presidente do governo regional da Madeira e onde se fez o ponto da situação no território.
O governo pôs à disposição da Madeira todos os meios disponíveis para o início dos trabalhos de recuperação. À saída do encontro, José Sócrates enalteceu o trabalho do executivo regional.
"A conclusão a que chegamos é que o Governo Regional da Madeira está a controlar muito bem a situação e a tratar já dos trabalhos de recuperação", disse.
"Nós oferecemos ao senhor presidente do Governo Regional da Madeira toda a ajuda de que necessitar para que a Madeira possa iniciar imediatamente esses trabalhos", declarou.
"O presidente do Governo Regional fez uma exposição da situação no que diz respeito às necessidades de reconstrução e também às necessidades que existem para responder às situações mais críticas", referiu o Primeiro-ministro.
"Combinámos entre o Governo Regional e o Governo da República duas coisas, aquilo em que podemos já dar uma ajuda para responder às situações de emergência e manter um diálogo entre o Governo Regional e o Governo da República por forma a que se possa definir um quadro geral de ajuda à Região para responder à situação", acrescentou.
"Estão todos os serviços do Governo Regional, do Governo da República empenhados para responder a esta situação", realçou o chefe de governo antes de regressar pelas 24h00 ao continente.
Rui Pereira, o ministro responsável pela pasta da Administração Interna, participou na reunião ao lado do chefe do executivo e coube-lhe a ele revelar o plano combinado.
o Governo da República enviará este domingo duas equipas da GNR com cães "para ajudar na procura de eventuais pessoas desaparecidas" bem como três equipas totalizando um grupo de seis elementos "de mergulhadores da força especial de bombeiros para procurar corpos que se possam encontrar no mar".
"Vamos enviar igualmente cinco médicos do Instituto de Medicina Legal para realizar o mais rapidamente possível as autópsias para que as famílias possam fazer o seu luto", acrescentou.
Dois elementos da Protecção Civil "vão fazer um inventário de quaisquer necessidades, sempre em cooperação com o Governo Regional, em relação ao futuro do que seja necessário fazer", revelou o responsável governamental.
Decidido está também o envio de pontes militares e de uma equipa de 15 elementos das Forças Armadas "para ajudar a montar essas pontes", no seguimento de um pedido formulado no passado sábado pelo líder do governo regional.
"Está combinado que haverá um contacto permanente entre o Governo da República e o Governo Regional da Madeira para fazer um inventário das necessidades e nos próximos tempos vamos ajudar a instruir um pedido de apoio por parte da União Europeia para acorrer a esta situação", indicou Rui Pereira.
"O apoio será da República, do Governo da República através dos incentivos considerados necessários e adequados mas também da União Europeia que dispõe de fundos para ajudar a construir infraestruturas que tenham sido afectadas por esta situação", adiantou.
Jardim pede cuidado com dramatizações
O líder do governo regional, Alberto João Jardim, ficou satisfeito com a visita do primeiro-ministro com quem tem mantido a nível político alguma animosidade.
"Quero agradecer publicamente a solidariedade do senhor Primeiro-ministro e também o maior interesse do ministro da Administração Interna e do senhor secretário de Estado que desenvolveram em relação a esta calamidade", afirmou Jardim.
"Não se pode esquecer que a nossa economia depende muito do exterior e vamos resolver os problemas internamente, não dramatizar muito lá para fora porque neste momento o canal próprio, através do Governo da República, junto à União Europeia, está organizado e, portanto, vamos agora deixar as instituições funcionar", prosseguiu.
Equipas de socorro chegam ainda hoje ao território
Uma equipa de seis mergulhadores da Força Especial de Bombeiros "Canarinhos", duas equipas cinotécnicas da GNR e uma equipa do Instituto Nacional de Medicina Legal partem hoje da Base Aérea do Montijo rumo à Madeira, no seguimento do acordado entre governo central e regional.
Cabe à Força Aérea transportar o apoio do continente num C-130 que partiu este domingo de manhã para a Madeira.
A missão destes homens é "apoiar as operações de socorro em curso na Madeira, na sequência do mau tempo que fustigou o arquipélago", de acordo com comunicado publicado na página da Internet da Autoridade Nacional de Protecção Civil.
As equipas enviadas consistem numa equipa de cinco elementos do Instituto de Medicina Legal, seis mergulhadores da "Canarinhos", dois Binómios da GNR (homem - cão), 30 elementos da PSP e 400 kg de material da Portugal Telecom para ajudar na reposição das comunicações destruídas pelos aluimentos de terra.
Acolhidas em quartel
Entretanto, no território o cenário continua a ser de desolação e destruição. Estradas inundadas, pontes destruídas, casas danificadas ou mesmo derrubadas, pessoas que ficaram sem casa, zonas do arquipélago que ainda estão isoladas e sem comunicações.
Problema grave é o das pessoas que ficaram sem possibilidade de se acolher nas suas casas quer porque tenham sido destruídas quer porque estejam temporariamente inacessíveis.
Para ajudar a colmatar este problema, o Governo Regional em cooperação com as Forças Armadas utiliza instalações militares para acolherem temporariamente os desalojados.
130 pessoas pernoitaram já esta noite de sábado para domingo no quartel do Regimento de Guarnição N3, no Funchal. Outras instalações estão a ser preparadas pelo Estado-Maior do Exército para acolherem mais pessoas.
São mais de 30 famílias que até ao momento estão alojadas nas instalações militares. Crianças, mulheres e homens vivem o drama de dormir fora de suas casas depois de terem passado um dia de pânico devido ao temporal que se abateu sobre o Arquipélago.
O tenente-coronel Perdigão deu conta de que "todos os militares disponíveis daquele regimento, mais de 450, se apresentassem de imediato no quartel", com um único objectivo: o de fornecerem comida, apoio logístico e sanitários às pessoas afectada.
Especialistas de engenharia militar foram já colocados no terreno em operações de remoção de escombros e limpeza, enquanto outros usando as viaturas militares se dedicam ao transporte de pessoas para o Regimento.
Fragata Côrte-Real leva equipas das Forças Armadas para o Funchal
A fragata Côrte-Real partiu no sábado à noite para a Região Autónoma da Madeira, transportando a bordo as equipas e meios das Forças Armadas, que vão ajudar a combater os efeitos do temporal que se abateu sobre a ilha.
A Marinha Portuguesa deu conta através de uma nota distrivuida à comunicação social de que a fragata Côrte-Real largou às 20h45 da Base Naval de Lisboa com rumo ao Funchal onde deverá chegar na próxima segunda-feira pelas 13h00.
"A bordo seguiram um destacamento de helicópteros, um destacamento de mergulhadores (7), uma secção de fuzileiros com capacidade de escalada (40), uma equipa médica treinada para situações de apoio às populações, um contentor com material de DISTEX - material de apoio para emergência/catástrofe", pode ler-se na nota.
Apressar as autópsias
Pelo menos 40 pessoas faleceram devido aos temporais do passado sábado na Madeira. Vivendo um momento de profunda dor, as famílias querem enterrar os seus mortos para poderem assim ultrapassar o mau momento e andar para a frente com as suas vidas.
Factor condicionante do tempo para a libertação dos corpos aos familiares para que estes possam levar a cabo as cerimónias fúnebres, são as necessárias autópsias que terão de ser efectuadas para apurar as verdadeiras causas da morte.
Para ajudar os meios existentes no arquipélago, uma equipa do Instituto Nacional de Medicina Legal parte domingo de manhã para a Madeira, começando no próprio domingo a realizar autópsias às vítimas do mau tempo.
A equipa é constituída por três médicos e dois técnicos médico-legais, adiantou o presidente do Instituto, Duarte Nuno Vieira.
Ligações aéreas repostas
Cortadas durante o sábado, foram já reabertas as ligações aéreas entre o continente e o arquipélago.
A TAP reiniciou no sábado à noite as ligações aéreas com a Região Autónoma da Madeira. Foram quatro voos que partiram no sábado à noite, de Lisboa e um do Porto.
"O primeiro voo de Lisboa partiu às 21h25 e o voo proveniente do Porto saiu às 22h30", referiu uma fonte da transportadora aérea citada pela Lusa.
Sábado foram cancelados 19 voos no aeroporto da Madeira com muitas dezenas de pessoas a ficarem retidas quer nos aeroportos do continente, quer no aeroporto local.
Para este domingo a TAP tem previstos cerca de uma dezena de voos que deverão normalizar o tráfego de pessoas com aquela região.