Aposta no desporto contraria desertificação no concelho - presidente da Câmara

Rio Maior, Santarém, 19 Dez (Lusa) - A aposta no desporto foi "uma saída" do concelho de Rio Maior contra a "desertificação", segundo o presidente do município, que destaca a "audácia" do "sonho" do seu antecessor na autarquia.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"O desporto foi uma saída que Rio Maior teve e dificilmente teria outra que não fosse a desertificação", disse à Agência Lusa o presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Carlos Nazaré (PS), assinalando que "a agricultura era a actividade dominante" no concelho, onde "o sector terciário praticamente não existia".

O "sonho" que dominou parte da gestão autárquica do socialista Silvino Sequeira, presidente do município entre 1985 e 2007, levou para a cidade cerca de 700 alunos da Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM) e permitiu criar mais de uma centena de empregos nos equipamentos desportivos.

Para Carlos Nazaré, os frutos do projecto "pensado e concretizado por Silvino Sequeira" são visíveis.

"Hoje a actividade maioritária é o sector terciário e a agricultura decresceu. Inverteram-se as posições", descreve.

"No mínimo, possibilitou-nos não perder população", afiançou Carlos Nazaré, que refere que "cerca de nove por cento dos habitantes do concelho estão ligados à ESDRM", um número que "justifica o investimento".

Segundo Carlos Nazaré, o custo das instalações desportivas riomaiorenses - estádio com pista de atletismo, campos de treino (relvado e sintéticos), piscinas (25 e 50 metros), três pavilhões (Gimnodesportivo, Polidesportivo e Multiusos) e Centro de Estágios e Formação Desportiva - construídas pela autarquia, funciona "em benefício da educação e da prática desportivas" dos clubes de Rio Maior.

"Todo o investimento que foi feito já teve retorno, muito dele não contabilizável", assegurou o autarca, indicando que a manutenção dos equipamentos desportivos custa anualmente quase 125 mil euros.

Carlos Nazaré destaca igualmente o "impacto tremendo" da instalação na cidade da delegação de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto do Desporto de Portugal, a inaugurar quinta-feira, que "vai gerir o desporto de um terço do território do país" e do Centro de Alto Rendimento para a Natação.

A "afirmação positiva da cidade", que conta com cerca de 21 mil habitantes, é o resultado deste "processo interligado", segundo o autarca, que assinala a "falta do pilar empresarial" no concelho, que, mesmo no comércio, "perde muito para Santarém e Caldas da Rainha".

O presidente da autarquia garantiu à Lusa que 2007 foi o ano com "maior receita" do município em licenciamentos urbanísticos e comerciais, correspondendo ao período com "números mais elevado de entrada na autarquia de projectos", alimentado também pela "expectativa sobre o novo aeroporto".

Uma das bandeiras do "sonho" de Silvino Sequeira foi a criação da Escola Superior de Desporto, que conta actualmente com 686 alunos de licenciaturas e cinquenta em pós-graduações e mestrados.

Além dos alunos e do movimento académico, o director da ESDRM, Abel Santos, garantiu à Lusa que dos 36 docentes a tempo integral e 60 em acumulação, "cerca de 40 por cento" residem em Rio Maior, contrastando com o ano de fundação - 1997 - em que "só um morava no concelho", onde residem ainda "metade" dos 15 funcionários da ESDRM.

A gestão dos equipamentos desportivos de Rio Maior, a cargo da empresa municipal Desmor desde 2000, permitiu criar 58 novos postos de trabalho, de um total de 63 funcionários, cinco dos quais requisitados à CMRM, sendo que apenas um reside fora do concelho, adiantou à Lusa fonte da empresa municipal.

Já a delegação de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto do Desporto de Portugal (IDP) no Centro de Estágios e Formação Desportiva de Rio Maior, vai alocar, numa fase inicial, oito funcionários, provenientes dos serviços descentralizados do IDP.

Para Abel Santos, a "notoriedade em termos internacionais" das organizações da ESDRM e também do "aumento" dos estágios de selecções e várias equipas nas instalações desportivas da cidade resultam num "impacto intangível", que, assegura "tem mais significado para Rio Maior".

"Dez anos depois da criação da escola é chegada a altura do investimento privado potenciar o investimento público que permitiu concretizar um estádio e as diversas instalações desportivas", regista Abel Santos, propondo "incentivar os alunos a reforçar a iniciativa empresarial".

Abel Santos exemplifica a necessidade de criar um "nicho" para o desporto, com a criação de um centro de incubação de empresas de serviços para a área, através de um programa de "Empreendedorismo no Desporto" e também de acompanhamento da prática desportiva de atletas através do Laboratório de Investigação em Desporto.

"Chegou a fase de retorno do conhecimento para a sociedade", afirmou Abel Santos, para justificar o "forte estímulo" da autarquia riomaiorense no desporto, como "aspecto diferenciador" com a construção em "qualidade e quantidade de diversos equipamentos desportivos"

Actualmente em curso está a medição da massa corporal da população escolar do concelho, para "avaliar" as crianças e "indicar a adequação dos jovens a determinados tipos de modalidades desportivas".

Nos dez anos de actividade, o director da ESDRM destaca a passagem de "2.500 pessoas por ano a mais na cidade", para participar em seminários e conferências, nacionais e internacionais, organizadas pela escola.

Depois de nove anos de funcionamento lectivo em vários espaços da cidade, a ESDRM instalou-se "provisoriamente" numa das naves do primeiro piso do pavilhão multiusos de Rio Maior.

Abel Santos considera que a solução "assegura as condições mínimas de funcionamento", assinalando a inexistência de espaço para investigação, área de apoio aos alunos e empreendedores e ainda a exiguidade do Laboratório de Investigação em Desporto.

"Por não terem residência, cantina, nem bar, os nossos alunos são altamente discriminados face aos outros alunos do ensino superior", denuncia o director da ESDRM.

Dos 300 alunos já licenciados, segundo um estudo às licenciaturas de Treino Desportivo, Condição Física e Animação Desportiva, Recreação e Lazer/Desporto Natureza e Turismo Activo, a ESDRM assinala uma empregabilidade acima dos 93 por cento em qualquer dos cursos.

Já para o director do departamento de desporto da Câmara Municipal, Albino Maria, o concelho tem "liderado" várias frentes no desporto no âmbito da Associação Nacional de Municípios Portugueses, destacando a "implementação" das actividades físicas e desportivas nas escolas do 1.º ciclo.

De acordo com Albino Maria, o concelho tem como "objectivo ser o concelho do país com maior taxa de prática desportiva", uma meta a aferir num estudo a realizar durante o ano de 2008.

JPS.

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