Apreendido armamento de guerra com alegado assassino de polícias
A Polícia Judiciária anunciou a apreensão de dezenas de armas de calibre de guerra, encontradas no esconderijo do detido por suspeita de ter assassinado dois agentes da PSP na Amadora, entre elas a arma do crime.
À Agência Lusa, o director nacional adjunto da directoria de Lisboa, Paulo Rebelo, qualificou a apreensão como "a maior de sempre realizada pela PJ", tendo em conta a qualidade do armamento em causa, que pode indiciar a prática de tráfico.
Expostas ao longo de uma mesa corrida estavam milhares de munições, livros sobre armas, um colete à prova de bala, várias armas brancas e dezenas de armas de calibre de guerra, que incluíam uma nunca vista em Portugal (Desert Eagle .50), mas também kalashnikovs, uma sniper, M16 e UZI+s.
Entre as armas, todas ilegais, estava também a glock de 9 mm, qualificada por agentes da PJ presentes como "a pistola mais moderna do mundo", supostamente utilizada para matar a tiro dois agentes da PSP no bairro da Falageira, Amadora, na madrugada de domingo.
O armamento, encontrado na "casa de recuo" [esconderijo] do detido, no concelho de Santiago Cacém, está "novo, bem tratado, e tem uma variedade inexplicável", o que pode indiciar "a prática de tráfico de armas", acrescentou outra fonte.
O suspeito, de 30 anos de idade, com dupla nacionalidade portuguesa e brasileira, foi localizado hoje de madrugada numa povoação do Alentejo litoral, perto de Melides, juntamente com três outros indivíduos que estão a ser identificados.
A detenção do suspeito, que estava em Portugal há alguns anos mas sem ocupação legal, aconteceu cerca de 24 horas depois do assassínio dos dois agentes da PSP.
O detido será hoje presente a interrogatório judicial para que lhe sejam decretadas as medidas de coação "tidas por adequadas", segundo a Polícia Judiciária, e que no caso deverão ser a prisão preventiva.
Paulo Rebelo disse que a PJ vai agora investigar os circuitos de circulação das armas, considerando "precoce" adiantar mais detalhes sobre o assunto, mas admitindo que o armamento em causa "não é de coleccionador" e indicia uma "actividade de comercialização".
O detido, com cadastro e procurado por homicídio de uma jovem adolescente no Brasil, não ofereceu resistência, disse.
O responsável manifestou ainda a sua preocupação com "o aumento da agressividade e violência no uso de armas" utilizadas nos crimes em Portugal.
Também presente, o director nacional da PJ, Santos Cabral, prestou uma "profunda homenagem" aos agentes que faleceram, mas sublinhou o empenho da PJ para "deter quem tinha cometido este acto".
Só assim foi "possível deter, após vigilância aturada, o presumível responsável pela morte dos dois agentes", disse, chamando a atenção para a questão do tráfico de armas.
"É importante que a questão do tráfico de armas seja objecto de um profundo estudo e análise", defendeu.
No entanto, "podemos estar prevenidos e adoptar os mecanismos necessários para que histórias deste tipo não se repitam", disse.
Os dois agentes da PSP foram mortos na madrugada de domingo no bairro da Falagueira, Amadora, perto de um bar, quando três agentes, num carro patrulha, abordaram um homem de cerca de 30 anos na tentativa de o identificar e este disparou várias vezes sobre os polícias.
As vítimas mortais são os agentes António Carlos Fernandes Abrantes, 30 anos, e Paulo Jorge de Oliveira Alves, 23 anos.
Os corpos dos dois agentes encontram-se desde domingo no Instituto de Medicina Legal de Lisboa, onde serão hoje autopsiados, confirmou à Lusa fonte deste instituto.