Arquitectos e autarquia chegam a acordo sobre traseiras da Casa da Música
Os arquitectos Rem Koolhaas e Ginestal Machado chegaram a consenso relativamente ao enquadramento urbano da Casa da Música, no Porto, que prevê a construção de um edifício nos terrenos contíguos, anunciou hoje o presidente da Câmara da cidade.
Segundo Rui Rio, o projecto conta também com o aval do arquitecto Siza Vieira, responsável pela requalificação da Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista).
Siza apenas aconselhou que "a frontaria do prédio não fosse espelhada ou com muito vidro", recomendação dada também pelo gabinete de Rem Koolhaas.
O projecto do gabinete do arquitecto Ginestal Machado, responsável pela envolvente da Casa da Música, garante assim uma solução urbanística que contempla a construção de um edifício de comércio e serviços com seis andares, respeitando "um canal de vistas para poente, a partir do janelão do Grande Auditório".
"Será construído um edifício de dois corpos ligados por uma pala e pela cave", explicou Ginestal Machado, adiantando que "se tudo correr bem" o novo equipamento ficará concluído até 2008.
Com uma área total superior a 18 mil metros quadrados, o novo edifício, cujo valor de investimento ainda não é conhecido, servirá de base à criação do novo quarteirão que revitalizará a zona envolvente à Casa da Música.
Segundo Ginestal Machado, a proposta para o novo edifício não ultrapassará a cota de referência dos 28 metros referente ao topo superior do "janelão", conforme o recomendado pelo gabinete do arquitecto holandês autor do projecto da Casa da Música.
"Fica resolvido o último imbróglio que eu herdei", concluiu Rui Rio aos jornalistas no final de uma reunião com a Adicais, empresa construtora, e os arquitectos responsáveis pelo projecto, referindo estar confiante que a oposição terá "o bom senso" de garantir a sua aprovação.
Esta terá que ser levada a uma das próximas reuniões do executivo camarário para a cedência de uma das parcelas do terreno.
É que, explicou Rio, a nova "solução" para as "traseiras" da Casa da Música implica a cedência à Adicais do terreno para onde inicialmente estava prevista a construção do Conservatório de Música do Porto.
O projecto de revitalização da área envolvente à Casa da Música prevê ainda a expropriação dos edifícios degradados ali existentes e o realojamento de algumas famílias, que Rui Rio garantiu "não ser muita gente".