Cultura
Arranca em Lisboa a 27ª edição da Festa do Cinema Francês
A 27ª edição da Festa do Cinema Francês ganha a dimensão de festival, com a criação de uma seção competitiva. Outra novidade é celebrar a Francofonia: abre-se ao cinema do espaço francófono.
Há 70 filmes na programação. "Adeus Mundo Cruel", do realizador Félix de Givry, integra o grupo dos 6 filmes em competição fazem parte da seção competitiva e tem como protagonista o ator luso-francês Milo Machado-Graner.
A abertura faz-se com o filme "De Gaulle: Resistência", um filme sobre o general francês. Em Lisboa, a Festa do Cinema Francês fica até dia 11 de outubro e depois segue para outras cidades do país.
Anette Dujisin, da direção da Associação Il Sorpasso, programadora da Festa do Cinema Francês, apresenta a edição 27 da festa.
Festa do Cinema Francês abre portas à Francofonia e põe a resistência no centro da programação
A 27ª edição da Festa do Cinema Francês apresenta cerca de 70 filmes e reforça a aposta na competição, na diversidade da Francofonia e em obras que abordam diferentes formas de resistência. A programação vai passar por 20 cidades, com itinerância prevista até ao final de novembro.
Transformar a Festa do Cinema Francês num verdadeiro festival, alargar o olhar ao cinema francófono e chegar a públicos diferentes são algumas das principais preocupações desta edição, explica Anette Dujisin, da Associação Sorpasso e programadora da iniciativa. "Uma das nossas preocupações foi tornar a Festa do Cinema Francês num festival propriamente dito", afirma, destacando a criação de uma secção competitiva dedicada a primeiras e segundas obras.
Uma festa que quer ser também um festival
A programação procura combinar filmes destinados a públicos cinéfilos com propostas mais populares, refere Anette Dujisin. A secção de comédias, "Rir à Grande e à Francesa", é uma das mais procuradas, mas a seleção não se limita às fórmulas de sucesso comercial.
"Queríamos programar comédias que fossem para fazer rir e comédias que tiveram um enorme sucesso de bilheteira em França, mas, também, comédias inteligentes que nos fizessem pensar sobre alguns assuntos, seja questões sociais, seja relações amorosas", explica.
A competição passa ainda a incluir filmes e realizadores de todo o espaço francófono, e não apenas franceses. "Era uma vontade nossa também a de abrir a competição a autores e filmes francófonos, ou seja, não necessariamente só realizadores e realizadoras francesas. Abrir o festival à Francofonia."África francófona ganha espaço na programação
A presença africana é uma das marcas desta edição. Entre os exemplos está "Congo Boy", de um realizador congolês, e "Paradise", coprodução entre o Canadá e o Gana. A intenção, explica Anette Dujisin, é mostrar que o cinema em língua francesa ultrapassa as fronteiras de França e permite outros olhares sobre temas e realidades contemporâneas.
"É muito importante conseguir dar esta visão: o cinema em francês não se limita às fronteiras francesas e temos de olhar para este cinema de uma maneira mais multicultural, mais plural, mais diversa, seja nos temas, seja nas pronúncias, seja no tipo de humor, seja nos olhares dos diferentes realizadores.", diz Anette Dujisin, programadora da Festa do Cinema Francês.
A dimensão africana surge, também, em "De Gaulle", o filme de abertura da Festa, que aborda o papel do general francês na criação da França Livre durante a Segunda Guerra Mundial. A programadora salienta a participação das então colónias francesas em África na resistência e na guerra.A resistência como fio condutor
O conceito de resistência atravessa várias das obras selecionadas, tanto em acontecimentos históricos como em histórias mais íntimas e quotidianas. "Começamos a notar uma linha transversal que trabalha este conceito macro e micro de resistência", diz Anette Dujisin. Entre as propostas mais exigentes está "L'inconnu", de Arthur Harari, que provocou reações muito diferentes no Festival de Cannes.
A programação inclui histórias relacionadas com neuro divergência, violência doméstica, saúde feminina, colonialismo e movimentos anticoloniais. Também, a secção dedicada aos mais novos, através da série "Destemidas", pretende trabalhar com crianças a ideia de que pequenos gestos podem produzir mudanças. "Grandes gestos, mas, também, pequenos contam para tentarmos construir uma sociedade melhor", sublinha a programadora Anette Dujisin.
Entre os destaques estão ainda a competição de primeiras e segundas obras, as sessões especiais, a secção Belle Époque, dedicada a filmes de culto, e uma retrospetiva de Brigitte Bardot organizada em parceria com a Cinemateca Portuguesa. A mostra procura afastar-se de uma visão exclusivamente centrada na imagem de Bardot como símbolo sexual e evidenciar a diversidade dos realizadores com quem trabalhou.Dos grandes autores à comédia popular
A secção Première reúne alguns dos principais nomes da programação, incluindo "Histórias Paralelas", de Asghar Farhadi, "Full Phil", de Quentin Dupieux, o novo trabalho de Jean-Pierre Jeunet, realizador de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" e o filme "Adeus, mundo cruel, de Félix de Givry".
O filme de encerramento é "Ni vue, ni connue" de Marc Fitoussi, com a atriz Isabelle Huppert num papel cómico ligado ao mundo do cinema. A programação inclui ainda "De la comédie française", de Bertrand Usclat e Martin Darondeau, um filme que aborda os bastidores da representação e da criação artística, neste caso do teatro.Festa transversal a todo o país
Com cerca de 70 filmes, a Festa vai decorrer em Lisboa de 1 a 11 de outubro e prolongar-se-á numa itinerância nacional até ao final de novembro. Estão já confirmadas 20 cidades, entre as quais Braga, Vila Franca de Xira, Loulé, Beja, Almada, Coimbra e Porto, estando prevista a extensão às regiões autónomas.
"É mesmo, digamos, fazer chegar o cinema a todo o país e não só Lisboa", afirma Anette Dujisin. A organização procura ainda trabalhar com autarquias e cineclubes para chegar a locais onde não existem salas comerciais.
A programação procura combinar filmes destinados a públicos cinéfilos com propostas mais populares, refere Anette Dujisin. A secção de comédias, "Rir à Grande e à Francesa", é uma das mais procuradas, mas a seleção não se limita às fórmulas de sucesso comercial.
"Queríamos programar comédias que fossem para fazer rir e comédias que tiveram um enorme sucesso de bilheteira em França, mas, também, comédias inteligentes que nos fizessem pensar sobre alguns assuntos, seja questões sociais, seja relações amorosas", explica.
A competição passa ainda a incluir filmes e realizadores de todo o espaço francófono, e não apenas franceses. "Era uma vontade nossa também a de abrir a competição a autores e filmes francófonos, ou seja, não necessariamente só realizadores e realizadoras francesas. Abrir o festival à Francofonia."África francófona ganha espaço na programação
A presença africana é uma das marcas desta edição. Entre os exemplos está "Congo Boy", de um realizador congolês, e "Paradise", coprodução entre o Canadá e o Gana. A intenção, explica Anette Dujisin, é mostrar que o cinema em língua francesa ultrapassa as fronteiras de França e permite outros olhares sobre temas e realidades contemporâneas.
"É muito importante conseguir dar esta visão: o cinema em francês não se limita às fronteiras francesas e temos de olhar para este cinema de uma maneira mais multicultural, mais plural, mais diversa, seja nos temas, seja nas pronúncias, seja no tipo de humor, seja nos olhares dos diferentes realizadores.", diz Anette Dujisin, programadora da Festa do Cinema Francês.
A dimensão africana surge, também, em "De Gaulle", o filme de abertura da Festa, que aborda o papel do general francês na criação da França Livre durante a Segunda Guerra Mundial. A programadora salienta a participação das então colónias francesas em África na resistência e na guerra.A resistência como fio condutor
O conceito de resistência atravessa várias das obras selecionadas, tanto em acontecimentos históricos como em histórias mais íntimas e quotidianas. "Começamos a notar uma linha transversal que trabalha este conceito macro e micro de resistência", diz Anette Dujisin. Entre as propostas mais exigentes está "L'inconnu", de Arthur Harari, que provocou reações muito diferentes no Festival de Cannes.
A programação inclui histórias relacionadas com neuro divergência, violência doméstica, saúde feminina, colonialismo e movimentos anticoloniais. Também, a secção dedicada aos mais novos, através da série "Destemidas", pretende trabalhar com crianças a ideia de que pequenos gestos podem produzir mudanças. "Grandes gestos, mas, também, pequenos contam para tentarmos construir uma sociedade melhor", sublinha a programadora Anette Dujisin.
Entre os destaques estão ainda a competição de primeiras e segundas obras, as sessões especiais, a secção Belle Époque, dedicada a filmes de culto, e uma retrospetiva de Brigitte Bardot organizada em parceria com a Cinemateca Portuguesa. A mostra procura afastar-se de uma visão exclusivamente centrada na imagem de Bardot como símbolo sexual e evidenciar a diversidade dos realizadores com quem trabalhou.Dos grandes autores à comédia popular
A secção Première reúne alguns dos principais nomes da programação, incluindo "Histórias Paralelas", de Asghar Farhadi, "Full Phil", de Quentin Dupieux, o novo trabalho de Jean-Pierre Jeunet, realizador de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" e o filme "Adeus, mundo cruel, de Félix de Givry".
O filme de encerramento é "Ni vue, ni connue" de Marc Fitoussi, com a atriz Isabelle Huppert num papel cómico ligado ao mundo do cinema. A programação inclui ainda "De la comédie française", de Bertrand Usclat e Martin Darondeau, um filme que aborda os bastidores da representação e da criação artística, neste caso do teatro.Festa transversal a todo o país
Com cerca de 70 filmes, a Festa vai decorrer em Lisboa de 1 a 11 de outubro e prolongar-se-á numa itinerância nacional até ao final de novembro. Estão já confirmadas 20 cidades, entre as quais Braga, Vila Franca de Xira, Loulé, Beja, Almada, Coimbra e Porto, estando prevista a extensão às regiões autónomas.
"É mesmo, digamos, fazer chegar o cinema a todo o país e não só Lisboa", afirma Anette Dujisin. A organização procura ainda trabalhar com autarquias e cineclubes para chegar a locais onde não existem salas comerciais.
O público terá também um papel na escolha dos filmes, através do Prémio do Público, enquanto o júri da competição será composto pela escritora franco-marroquina Leïla Slimani, pela codiretora do IndieLisboa, Susana Santos Rodrigues, e pelo ator e jornalista Tiago Manaia.