Assembleia Municipal de Monção unânime na exigência de reabertura imediata da escola de Merufe

A Assembleia Municipal de Monção aprovou um requerimento apresentado por um deputado do PS em que é exigido a reabertura imediata da escola do primeiro ciclo de Merufe, cujo fecho tem sido fortemente contestado pelos pais.

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Os pais aproveitaram a reunião da Assembleia Municipal para a realização de uma vigília de protesto RTP

O requerimento, apresentado pelo deputado socialista Carlos Alberto Diales, foi aprovado por unanimidade pela Assembleia Municipal, composta por deputados do PS, PSD, CDU e independentes.

Na moção, o signatário considera que o encerramento da escola de Merufe é uma injustiça, não só por a freguesia ter 29 alunos matriculados no primeiro ciclo, mas também por o estabelecimento reunir "todas as condições" para um ensino de qualidade.

O requerimento vai agora ser enviado à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e ao Ministério da Educação, e será também apenso à providência cautelar que os pais interpuseram no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga para tentar reverter a decisão de encerramento da escola.

Os pais aproveitaram a reunião da Assembleia Municipal de sexta-feira para a realização de uma vigília de protesto à porta do edifício onde decorreu a sessão.

Vestidos com t-shirts pretas e empunhando velas e archotes, os pais distribuíram um documento onde prometem "assombrar" todos os actos públicos promovidos pela Câmara local, como forma de protesto contra o encerramento da escola da freguesia.

No documento, também entregue à Mesa da Assembleia Municipal, a população de Merufe garante que, enquanto a decisão de fechar a escola da freguesia não for revertida, estará "sempre presente" para "assombrar" todos os actos públicos promovidos pela Câmara, sejam eles de cariz político, cultural ou social.

"Temos tudo o que a tutela exige para ter a nossa escola aberta. Apenas pedimos o que temos direito", lê-se no documento.

Os signatários evocaram recentes declarações da ministra da Educação para acusar o presidente da Câmara de Monção, o socialista José Emílio Moreira, de ser "o único autor do encerramento" da escola de Merufe.

Confessam-se "completamente defraudados" pela Câmara, dizem que a sua "balança da justiça está avariada" e acusam-na de ter dois pesos e duas medidas, por deixar abertas escolas com muitos menos alunos do que a de Merufe.

"V Ex teve a coragem de sacrificar uma freguesia inteira para manter um ninho de compadrios", refere ainda o documento entregue a José Emílio Moreira.

Em declarações à Lusa, Emílio Moreira já rejeitou hoje qualquer responsabilidade no fecho da escola do 1.º ciclo de Merufe e desafiou o Ministério da Educação (ME) a "falar verdade".

"Quando a ministra da Educação vai para a televisão dizer que o fecho da escola de Merufe neste ano foi por vontade do presidente da câmara, ou não soube exprimir-se ou então foi mal informada e mentiu", disse.

"Se o Ministério fosse assim tão sensível e tão solícito a atender a vontade da Câmara, então não teria fechado a EB de Pias, pela qual nós tanto lutámos para que continuasse aberta. Vamos falar claro: o fecho da escola de Merufe, neste ano lectivo, foi apenas e só uma decisão do Governo", acrescentou.

O autarca frisou que o encerramento da escola de Merufe consta na Carta Educativa do Concelho mas defendeu que não precisava de ser concretizado de uma forma "tão apressada".

Sustentou que tanto o número de alunos como as condições estruturais existentes "justificavam maior ponderação".

"Este processo deveria ter sido feito de uma forma gradual e não de uma maneira intempestiva e movida por interesses meramente economicistas", referiu José Emílio Moreira.

A freguesia de Merufe conta este ano lectivo com 29 alunos inscritos no 1.º ciclo mas as autoridades responsáveis decidiram fechar a escola local, apontando a EB 1-2-3 de Tangil como escola de acolhimento.

Os pais de cinco alunos de Merufe acabaram por aceitar mas os restantes fizeram boicote às aulas durante nove dias, deixando ir os filhos à escola mas na Freguesia de Barbeita, para onde entretanto pediram transferência.

No entanto, os encarregados de educação, que aguardam pela decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga quanto à providência cautelar que interpuseram contra o fecho da escola, garantem que a luta é para levar "até ao fim".

De imediato, vão criar uma página na Internet para divulgar "para todo o mundo a atitude vergonhosa da Câmara" e a "injustiça" que consideram que ela cometeu em relação à Freguesia de Merufe.
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