Assembleia regional aprova criminalização consumo de droga, proposta terá de passar pelo Parlamento nacional

Assembleia regional aprova criminalização consumo de droga, proposta terá de passar pelo Parlamento nacional

Funchal, 09 Abr (Lusa) - A Assembleia Legislativa da Madeira aprovou hoje na generalidade uma anteproposta do Governo Regional que quer retomar a criminalização do consumo de drogas, repondo o quadro legal que existia antes da revisão da lei em 2000.

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A anteproposta de alteração do regime jurídico aplicável ao consumo de estupefacientes e substâncias psicotrópicas, estabelecido na Lei 30/2000, teve a abstenção do CDS/PP-M e do MPT-M e os votos contra do PS-M, BE-M, PCP-M e do PND-M.

A anteproposta de alteração da lei apresentada pelo Governo Regional repõe o artigo 40 da lei 15/93, que punia com pena de prisão até três meses ou pena de multa até 30 dias o consumo de algumas substâncias psicotrópicas.

Depois de aprovada na especialidade, a anteproposta terá de ser remetida à Assembleia da República por se tratar de matéria da sua reserva absoluta.

"Na especialidade, vamos convocar um conjunto de entidades que têm envolvência nesta matéria desde a Polícia Judiciária, a PSP, a própria Comissão de Dissuassão e outras entidades da sociedade para, em conjunto, reflectirmos sobre esta alteração", revelou à Agência Lusa a deputada do PSD-M, Rafaela Fernandes.

"O PSD-M entende que, nesta matéria, nós temos que alterar a situação actual nomeadamente o quadro legal porque verifica-se um aumento do consumo desde o ano 2000 e isso tem a ver com a nova lei", diz a deputada.

A parlamentar sublinha que o PSD-M não pretende "mandar os toxicodependentes para a cadeia. Não é isso o que se pretende, mas reforçar o princípio de que o toxicodependente é um doente e como tal deve ser protegido e encaminhado para um tratamento que se deve mostrar muito mais eficaz".

"Por outro lado - continua - é preciso acabar com o abuso que existe actualmente de traficantes que vestem a pele de consumidores porque andam com as doses que a Lei n/o 30/2000 considera ser para consumo médio diário para dez dias e, ao abrigo deste quadro legal, fazem partes de tráfico".

"O que nós queremos fazer é regressar à Lei n/o 15/1993, de 20 de Fevereiro, na qual já o consumidor ocasional estava dispensado de pena e vai continuar dispensado de pena; o consumidor que seja toxicodependente e que não seja um consumidor ocasional vai ter a possibilidade de ter a pena suspensa desde que faça adesão ao tratamento e, depois, vamos resolver o problema dos consumidores disfarçados que, no fundo, são traficantes", explica.

Rafaela Fernandes realça, no entanto, que aquilo que a ALM aprovou na generalidade "é uma proposta de alteração à Lei existente, que vai ser enviada à Assembleia da República porque esta matéria é uma matéria da Assembleia da República".

"Aquilo que nós queremos é que, em sede da Assembleia da República, esta alteração ocorra para invertermos o que aconteceu com este quadro legal da lei 30/2000 que foi precisamente a capa legal para os consumidores/traficantes", explicou.

No debate, o líder do Grupo Parlamentar do PS-M, Vítor Freitas, sugeriu que se a proposta era assim tão boa deveria ser, então, assumida pelo PSD no Parlamento Nacional, até por não ser matéria da competência da Assembleia regional.

"Porque é que não o fazem? Qual seria a posição do PSD nacional?", questionou.

O presidente do CDS/PP-M, José Manuel Rodrigues, lembrou que a consulta de atendimento aos toxicodependentes no Centro de Santiago aumentou 40 por cento em 2007 relativamente a 2006 (de 1300 consultas para 1800); que as seringas trocadas passaram de 24000 em 2006 para 48000 em 2007 e que a apreensão de heroína na Região tinha subido nesse ano para 700 por cento.

"O CDS/PP-M é a favor deste diploma mas tem algumas dúvidas", disse.

Roberto Almada do BE-M acusou o Governo Regional de querer "mandar para a prisão os toxicodependentes" enquanto o deputado do PCP-M, Leonel Nunes, lembrou que não era com leis que se combatia a droga "mas com vontade política".

O deputado do PND-M, Baltasar Aguiar, salientou, por seu lado, que o toxicodependente era "um doente" e que não era "com juízes e tribunais que se combatia a droga, recordando ao mesmo tempo que a actual lei possibilitava que algumas das vítimas da droga se tornassem em colaboradores da justiça.

João Isidoro, do MPT-M, defendeu a necessidade de haver um "grande combate" contra o tráfico de droga e reservou-se para a discussão na especialidade.


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