Associação Académica de Coimbra acusa deputado Alberto Martins de traição à memória da Universidade

O presidente da Associação Académica de Coimbra (ACC), Paulo Fernandes, acusou hoje o deputado e líder da bancada socialista Alberto Martins de traição "à memória colectiva" da Universidade, na aprovação do novo regime jurídico do ensino superior.

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Paulo Fernandes lamenta que tenha sido o PS, com Alberto Martins à frente da bancada parlamentar, "a dar a machadada final na autonomia do ensino superior", relembrando o papel dos líder parlamentar socialista na crise académica de 1969.

A 17 de Abril de 1969, há 38 anos, o então presidente da AAC, Alberto Martins, pediu para usar a palavra na inauguração do edifício das Matemáticas, numa sessão presidida pelo Presidente da República, Américo Tomás, o que levou à interrupção abrupta da reunião e à detenção do líder dos estudantes.

Na altura, os estudantes reclamavam o direito de intervir na vida da universidade, defendendo a sua autonomia e o acesso democratizado.

"É para nós difícil de acreditar que um homem como o senhor renegue às causas pelas quais foi preso no tempo do antigo regime. Não acreditamos que o lugar que ocupa no Parlamento condicione de alguma forma aquilo em que acredita e pelo qual tanto lutou: a liberdade e a democracia", escreve o presidente da AAC numa carta enviada a Alberto Martins, a que a agência Lusa teve acesso.

"Não aceitamos que alguém com a sua responsabilidade histórica, traia desta forma a memória colectiva da nossa Associação e do nosso país impunemente", lê-se ainda na missiva enviada ao deputado .

O líder parlamentar socialista é ainda acusado de "não ter permitido uma discussão alargada, dando apenas 15 dias, o prazo mínimo, e de não ter feito esforços para alcançar consensos com outras forças políticas".

Segundo o presidente da AAC, o novo regime jurídico aprovado quinta-feira pela maioria socialista na Assembleia da República, com os votos contra de toda a oposição, afasta os funcionários não docentes e os estudantes "das lides e do governo da instituição".

Por outro lado, acrescenta, "existe um número elevado de elementos externos, que podem colocar em causa a independência científica e pedagógica da Universidade".

Quanto à eleição do Reitor, Paulo Fernandes considera que o novo regime prevê uma "eleição" apenas pelo Conselho Geral, que será constituído por um máximo de 35 pessoas, o que, na sua opinião, "se trata de uma nomeação".

O dirigente estudantil defende que o Reitor deve ser eleito por um colégio eleitoral alargado, caso contrário vão surgir "líderes fracos".

A possibilidade das faculdades se poderem constituir em fundações de direito privado à margem da Universidade de Coimbra é outras das críticas de Paulo Fernandes, que vê nesta possibilidade a "fragmentação e o fim da coesão de uma instituição una e coesa".

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