Associação critica suspensão de 21 militares da BT do Carregado
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) criticou hoje que 21 militares da Brigada de Trânsito da GNR do Carregado tenham sido suspensos de funções na sequência de um processo disciplinar em que ainda não foram sequer ouvidos.
Em comunicado divulgado ao princípio da noite de hoje, a APG/GNR diz ter tido "hoje conhecimento da aplicação da medida disciplinar de 90 dias de suspensão preventiva de funções a 21 elementos da Brigada de Trânsito (BT) em serviço no Destacamento do Carregado".
Para a APG/GNR, "a instauração de processos disciplinares com aplicação de uma medida provisória, sendo esta a mais grave do Regulamento de Disciplina da Guarda, só revela uma postura de prepotência, militarista e arrogante para camuflar os verdadeiros problemas com que a instituição se debate".
A intenção de instaurar processos disciplinares a militares da BT do Carregado que alegadamente se insurgiram contra o comandante do destacamento já tinha sido anunciada a 25 de Novembro pelo Comando- Geral da GNR.
Nesse dia, o jornal "Público" noticiou que o destacamento da BT do Carregado estava a ser investigado pela Polícia Judiciária devido a ter ardido, no domingo anterior (20 de Novembro), parte da documentação guardada na secretaria, entre ela muitas contra- ordenações (multas) rodoviárias.
Fonte ligada ao processo disse à Lusa que, no passado dia 23 de Novembro, o comandante do destacamento convocou 21 militares da BT para serem ouvidos no seu gabinete, numa conversa alegadamente relacionada com falta de produtividade, resultante de poucas contra- ordenações.
O comandante de destacamento esteve 40 minutos a ouvir o primeiro militar, o que causou grande impaciência nos restantes e alguns protestos quando este saiu da sala, referiu a mesma fonte, admitindo que os ânimos se alteraram um pouco.
Em declarações à agência Lusa a 25 de Novembro, o tenente- coronel Costa Cabral, do comando-geral da GNR, contou que alguns militares da BT do Carregado tiveram atitudes menos correctas contra o comandante do destacamento, que já estavam a ser investigadas.
Hoje, em comunicado, a APG/GNR critica que os militares em questão tenham sido suspensos de funções por 90 dias na sequência daquele episódio e fonte da associação sindical lamentou à Lusa que o mesmo tenha acontecido sem os visados terem sido ainda ouvidos nos respectivos inquéritos disciplinares.
A mesma fonte sublinhou que os militares têm agora 10 dias para contestar esta decisão do comando da guarda, que teve na origem apenas questões de índole profissional.
"Num efectivo de cerca de 70 homens, foram suspensos 21. Isto vai causar ainda um maior mal-estar dentro do destacamento", disse a fonte, considerando que existem no regulamento outras medidas disciplinares que podiam ser aplicadas enquanto está a decorrer o processo.
A APG/GNR sublinha no seu comunicado que "a insatisfação reina em todo o dispositivo da GNR e que não é com processos disciplinares ou com medidas repressivas que este sentimento desaparecerá ou que se resolverão os verdadeiros problemas que afectam a instituição e os seus profissionais".
Queixam-se de "cargas horárias penosas e desumanas", "condições humilhantes de trabalho", "desrespeito pelos direitos mais elementares dos profissionais" e de "uma estrutura de comando insensível às preocupações mais sentidas".