Associação da GNR quer expor situação "injusta" aos grupos parlamentares
A Associação dos Profissionais da Guarda vai expor aos grupos parlamentares da Assembleia da República a situação "injusta e ilegal" em que se encontra o ex-comandante do Grupo Territorial de Braga da GNR, anunciou hoje a organização.
O capitão José Pires, que denunciou o alegado tráfico de influências, irregularidades e favorecimento no comando da Brigada Norte da GNR em relação ao Sporting de Braga quanto à segurança dos jogos, está acusado do crime de deserção e sujeito à medida de coacção de Termo de Identidade e Residência desde 11 de Abril passado.
Para a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), recai sobre o capitão José Pires "o crime de deserção por ter defendido a sua honra e os interesses dos profissionais da Guarda".
A APG considera que "este processo está, desde o seu início, repleto de incompreensíveis injustiças e ilegalidades, sendo bem representativo da desadequação da Justiça militar aplicada aos profissionais das forças de segurança".
A APG, presidida por José Manageiro, solicitou audiências aos vários grupos parlamentares da Assembleia da República, a fim de expor este caso, sendo recebida terça- feira pelos deputados comunistas.
"Aguardamos que os outros grupos parlamentares também nos recebam, porque este caso do capitão Pires é muito grave", disse à agência Lusa José Manageiro.
O capitão Pires acusou o comando da Brigada do Norte de "traição, desrespeito pela legalidade democrática e tráfico de influências", considerando que este cedeu a pressões do Sporting de Braga para que a GNR assegurasse o patrulhamento do estádio no jogo com o Penafiel, a 28 de Agosto de 2005.
O antigo comandante da GNR recusou fazer o policiamento no estádio municipal alegando que a Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do clube bracarense não estava a pagar o serviço há vários meses, o que já foi negado pelo Sporting de Braga.
"Na sequência da polémica, o capitão Pires foi substituído no comando e, por isso, perdeu a confiança na GNR, o que o levou a apresentar o pedido de passagem à reserva a 22 de Setembro de 2005, que foi negado pelo comando- geral da GNR, o que fez com que apresentasse novo recurso para o Ministério da Administração Interna, que não respondeu", disse também o dirigente associativo.
"O capitão José Pires perdeu a confiança na GNR, não se revê na instituição e quer deixar de prestar serviço, mas recusam libertá-lo. Como já fez tudo para o libertarem e não lhe dão esse direito, deixou de comparecer ao serviço, tendo sido considerado desertor", acrescentou José Manageiro.
Segundo o presidente da APG, "como foi considerado desertor, não lhe pagam o ordenado e também não pode trabalhar fora da GNR, pois, se o fizer, pode ser preso".
"Há aqui uma questão fundamental de direitos, liberdades e garantias, que é preciso reflectir e denunciar", realçou José Manageiro.
O capitão José Pires tem 44 anos, é militar desde 1982, esteve na Guarda Fiscal e desde 1992 faz parte dos quadros da GNR.