Associação de Agentes Funerários nega discriminação a quem não dá gratificações

A Associação dos Agentes Funerários de Portugal (AAFP) admitiu que recebe pontualmente gratificações de agentes do sector que utilizam a morgue do Hospital de São João, Porto, mas nega qualquer discriminação a quem não dê essas ajudas.

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A multinacional funerária Servilusa afirmou sexta-feira, em comunicado, que a AAFP pede 15 euros por cada óbito, "sempre que no desenvolvimento da sua actividade [os agentes funerários] necessitam de proceder ao levantamento de cadáveres e do respectivo certificado de óbito junto da Casa mortuária" do Hospital de São João.

"Caso não o façam, recebem tratamento diferenciado, discriminatório e de desigualdade relativamente às demais agências ofertantes", assegurava a Servilusa.

Em declarações prestadas hoje à Lusa, o presidente da AAFP, João Barbosa, garantiu que "nunca" a estrutura que dirige "cobrou qualquer valor por qualquer certificado de óbito, não cobra, nem cobrará".

A associação, disse, aceita donativos mas "todos recebem o mesmo tratamento, pautando-se a AAFP pela isenção e transparência".

Acrescentou que os donativos se destinam a comparticipar as despesas que AAFP tem com dois funcionários de um gabinete que montou, com a anuência da administração hospitalar, à entrada da morgue.

"Trata-se apenas de um gabinete de apoio às agências e não de qualquer concessão da morgue à AAFP, ao contrário do que afirmava a Servilusa", precisou João Barbosa.

O dirigente disse que este gabinete foi montado "para colaborar com o hospital no combate às autênticas máfias que anteriormente lá existiam, constituídas por pessoas que se movimentavam dentro do hospital para angariar clientes para este ou aquele agente funerário".

A função básica do nosso gabinete é a moralização e prestar serviço a agentes funcionários. Ao contestar isso, se calhar a Servilusa, quer que regresse a rede mafiosa ao hospital", sustentou.

A Servilusa tinha afirmado que a AAFP estava a enveredar, na morgue do Hospital de São João, por práticas "absolutamente censuráveis" e "socialmente chocantes", mas João Barbosa entende que a posição pública da multinacional se resume a "um conjunto de falsidades com o único propósito de obter publicidade gratuita em seu favor".

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