Associação de Genealogia cria código dentológico para tentar pôr ordem no sector

Lisboa, 17 Jan (Lusa) - A Associação Portuguesa de Genealogia (APG) anunciou hoje a criação do Código Deontológico do Genealogista, que visa unir e credibilizar os muitos investigadores amadores que têm surgido devido ao crescente interesse do público pelo estudo das origens familiares.

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"Há cada vez mais pessoas que se oferecem para investigar" a genealogia com fins comerciais, porque "há imensa gente interessada", disse à agência Lusa José Caldeira, secretário-geral da APG.

Reunindo actualmente cerca de 200 investigadores de todo o país e também do estrangeiro, a APG tem sido contactada com cada vez maior frequência.

"Há por exemplo muitas pessoas que vivem no estrangeiro, sobretudo de segunda geração, que têm curiosidade de conhecer as suas origens", explica José Caldeira.

Segundo o responsável, a genealogia tornou-se num bom mercado, mas nem todos os investigadores estão devidamente habilitados e poucos são os que se dedicam a tempo inteiro.

Não existindo formação específica em Portugal, disse José Caldeira, os genealogistas adquirem conhecimentos através de livros ou de formações da própria APG.

O objectivo do código deontológico, que já existia noutros países, é por isso estabelecer um conjunto de normas que possam vincular as pessoas que fazem investigação genealógica e que pretendam passar a ser recomendadas pela APG.

A partir de agora, "qualquer pessoa que se considere genealogista", associado ou não, pode submeter-se ao código deontológico, ficando "sujeito a que o seu trabalho seja verificado pela APG", adianta José Caldeira.

O investigador passa a figurar na lista que a associação fornece a quem a contacta, e será retirado se uma eventual queixa fôr confirmada.

"A honestidade é essencial: se alguém pede a outro uma investigação sobre as suas origens familiares, não vai depois verificar se ela está correcta", explica José Caldeira.

Os investigadores comprometem-se então a respeitar certos critérios de pesquisa, como a verificação das informações ou o respeito pela vida privada, para garantir a qualidade da investigação e a sua própria competência a quem procura os seus serviços.

A APG foi criada em 1985 com o objectivo de estudar e divulgar a ciência geneológica, apoiando todos aqueles que se dedicam à sua pesquisa.


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