Associação do Porto apoia orfãos de Quelimane

Crianças órfãs da "Casa Esperança" em Quelimane, Moçambique, são desde há alguns meses apoiadas financeiramente por tutores portugueses que asseguram as suas despesas de sobrevivência no âmbito de um projecto de associação de solidariedade sedeado no Porto.

Agência LUSA /

A Associação de Tutores e Amigos das Crianças Africanas (ATACA) foi criada em Agosto de 2006 por um grupo de cerca de 20 pessoas, a maioria ex-alunos de um colégio privado da cidade do Porto.

Iniciaram a actividade por Moçambique, por ser o país onde muitos dos fundadores da ATACA já participaram em experiências de voluntariado, segundo disse à agência Lusa o vice-presidente Tiago Ribeiro.

"Em Maputo e Quelimane temos protocolos com lares e centros de acolhimento de crianças que nos ocuparão nesta fase de arranque e consolidação da ATACA", acrescentou.

Um dos principais projectos desta associação denomina-se "Tutor à Distância" e consiste em apadrinhar crianças africanas, mediante diferentes modalidades.

Nesta fase, a campanha de apadrinhamento de crianças está limitada à cidade de Quelimane (capital da província da Zambézia), mas a partir do final deste mês deverá alargar-se a Maputo, na sequência de uma parceria estabelecida com o padre Anastácio Jorge, da paróquia do Bairro do Aeroporto.

Prevê-se que no total, a partir de Maio, a associação possa apoiar cerca de duas centenas de crianças moçambicanas, órfãs, abandonadas ou pertencentes a famílias muito carenciadas.

Em Quelimane, a associação trabalha com a "Casa Esperança", das irmãs Dominicanas Missionárias do Rosário.

A irmã Lídia Furtado, portuguesa a residir em Moçambique há 13 anos, é a responsável local pelo projecto "Tutor à Distância", estando a coordenação do mesmo a cargo da primeira voluntária em campo da ATACA, Barbara Janson.

Licenciada em Gestão pela Universidade Católica, Bárbara Janson, de 27 anos, foi para Quelimane em Agosto de 2006 e aí deverá permanecer cerca de um ano.

Tem como missão, além de ajudar as crianças a estudar, a elaboração dos relatórios trimestrais do projecto, com informações detalhadas e actualizadas sobre cada uma das crianças apadrinhadas.

O "Projecto Tutor à Distância" (PTàD) visa mobilizar cidadãos portugueses e outros para se tornarem "padrinhos" de uma criança - preferencialmente um órfão, pelo período mínimo de um ano - comprometendo-se a financiar mensalmente as suas despesas de sobrevivência.

Existem três modalidades: "Tutor Total", cuja contribuição mensal é de 20 euros, que permite responder às despesas de alimentação, vestuário, saúde e educação; "Tutor Educação", com uma contribuição mensal de 10 euros, e "Tutor Amigo", com contribuição mensal de 5 euros, com o objectivo de mais de um tutor apoiar a mesma criança, de modo a conseguir-se resposta para diversas despesas.

Consoante a modalidade escolhida, os responsáveis pelo projecto deverão indicar, aleatoriamente, uma criança e a sua ficha informativa com todos os dados do registo civil, situação pessoal e familiar e encaminhar a cada trimestre, notícias e informações da criança.

O sistema de contabilidade utilizado pelo PTàD implica que a cada despesa financeira corresponda um documento que justifique o gasto, sendo, portanto, necessário que a instituição transmita ao PTàD, antes do sucessivo depósito trimestral, um relatório relatando como foi gasto o valor enviado no trimestre precedente.

"Existem várias associações que praticam o apadrinhamento de crianças, nomeadamente africanas, mas nós queremos marcar a diferença pela transparência do processo, para que não existam dúvidas sobre o destino do dinheiro", sublinhou Tiago Ribeiro.

Actualmente, o número total de tutores é de 106, sendo que 66 são totais, 28 educação e 12 amigos.

A ATACA realiza a 28 de Maio, no Clube de Campismo do Porto, o seu I Encontro de Voluntários, destinado a dar-se a conhecer e a apresentar os actuais e novos projectos de voluntariado.

"Basicamente, o que pretendemos é apresentar o tipo de trabalho que fazemos e divulgar o tipo de ajuda que precisamos.

Queremos encontrar as pessoas certas para o lugar certo e com tempo disponível", disse à Lusa, o presidente da ATACA.

Segundo Fernando Durana Pinto, as necessidades imediatas relacionam-se com a área do pré-escolar para colaborar num jardim- escola do Bairro do Aeroporto, em Maputo.

"Queremos encontrar pessoas com formação nas áreas onde irão trabalhar, não queremos um professor de alemão a dar aulas de matemática", frisou.

Durana Pinto lembrou ainda que o Projecto Tutor à Distância "vive do voluntariado, havendo a necessidade imediata de avançar com novas candidaturas porque em Junho será necessário substituir a Bárbara Janson, em Quelimane".

"A formação dos voluntários é uma das nossas grandes preocupações, porque não basta querer ser-se voluntário é indiscutivelmente necessário ter-se espírito de missão", sublinhou.

O objectivo dos responsáveis da associação é trabalhar para que também os voluntários se sintam felizes no seu desempenho, que conheçam a realidade social e cultural onde vão estar inseridos e tentar prepará-los para as exigências e modo de vida que vão encontrar.

A ATACA apresentou já a sua candidatura a Organização Não Governamental de Desenvolvimento (ONGD).

"Só agora o fizemos porque, entre outros formalismos, era necessário ter uma sede e um plano de actividades, o que já conseguimos", disse Fernando Durana Pinto.

Caso a candidatura seja aceite, "poderemos recorrer ao mecenato para angariação de meios financeiros que nos permitam desenvolver novos projectos", sublinhou.

Por enquanto, a ATACA sobrevive "à custa de muita imaginação", dos donativos dos associados (a sede é cedida gratuitamente pela mãe de um elemento da direcção) e das acções de solidariedade que vão organizando, nomeadamente jantares e festas.

"Acreditamos que é possível ajudar os outros fazendo coisas simples mas indispensáveis, apostando na mudança de mentalidades e na disponibilidade para fazer bem aos outros", acrescentou Durana Pinto.

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