Associação em Portugal anuncia criação de plataforma de ajuda

A Associação dos Ucranianos em Portugal anunciou hoje a criação de uma plataforma entre várias associações para coordenar a ajuda disponibilizada e satisfazer os pedidos de apoio no âmbito da invasão da Ucrânia.

Lusa /

Num discurso durante uma manifestação, que levou mais de um milhar de pessoas à Praça do Comércio, em Lisboa, o presidente da associação, Pavlo Sadokha, fez este anúncio e apelou às muitas associações e grupos da sociedade civil para que se juntem a esta plataforma.

Entre vivas a Portugal e "obrigada Portugal" gritado repetidamente pelos manifestantes, a grande maioria ucranianos, mas também portugueses, georgianos, ingleses e outros estrangeiros, Pavlo Sadokha explicou que "é necessária uma plataforma segura".

O objetivo é estruturar o melhor possível toda a ajuda aos ucranianos que queiram vir para Portugal, desde tratar do transporte, até alojamento e a sua integração no país, detalhou.

A forma como vai funcionar a plataforma Ucrânia-Portugal será divulgada nos próximos dias no `site` da Associação e nas redes sociais.

Casas disponíveis para alojar quem precise de abrigo, dinheiro, alimentos, medicamentos e roupas são exemplos da oferta de ajuda que tem chegado à Associação, de instituições e de particulares, para ser dirigida aos que possam vir a refugiar-se em Portugal, mas também enviada para ucranianos deslocados no seu país e em países vizinhos.

Segundo Pavlo Sadokha, há também pessoal médico e outros profissionais que querem ir ajudar na Ucrânia e a associação foi contactada por mais de uma dezena de pessoas, ex-militares mas não só, que se dispõem a ir lutar ao lado dos ucranianos para repelir os ataques militares dos russos.

"Neste momento, temos mais oferta do que pedidos de apoio", disse numa breve declaração à agência Lusa o dirigente associativo, que se prepara para viajar para a Polónia para ir buscar os pais, que conseguiram fugir da Ucrânia e o esperam em Cracóvia para virem para Portugal.

"Vamos começar a salvar vidas", disse o dirigente da Associação dos Ucranianos em Portugal, sublinhando a "grande generosidade e apoio" mostrado por Portugal e pelos portugueses desde o primeiro dia da invasão da Ucrânia, na quinta-feira, ordenada pelo Presidente russo, Vladimir Putin.

Por várias vezes ao longo do discurso, o dirigente agradeceu ao povo e às autoridades portuguesas o apoio e pediu às pessoas que voluntariamente estão a desenvolver projetos de recolha e encaminhamento de ajuda que se juntem à plataforma Ucrânia-Portugal, que conta com a colaboração da embaixada daquele país em Lisboa.

A intervalos, o discurso era interrompido por vivas à Ucrânia e a Portugal, com as bandeiras azuis e amarelas do país a agitarem-se e os cartazes contra a invasão, muitos dirigidos ao Presidente russo, Vladimir Putin, a elevarem-se mais alto para se lerem mensagens como "parem Putin", "assassino", "Putin sai da Ucrânia", "não à guerra" e "apoiem a Ucrânia".

Cerca de 368.000 refugiados fugiram dos combates na Ucrânia para os países vizinhos, desde o início da invasão russa, e o número continua a aumentar, indicaram hoje as Nações Unidas.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a "operação militar especial" na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

 

 

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