Associação Empresarial da Guarda já deu equivalência ao 9º ano a 1.420 adultos

O secretário de Estado da Educação considerou hoje o NERGA (Associação Empresarial da Região da Guarda) "um bom exemplo" a nível nacional em matéria de certificação de competências, tendo já atribuído diplomas a 1.420 adultos.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Valter Lemos esteve hoje na Guarda na cerimónia de entrega de 432 certificados de adultos com equivalência ao 9º ano, atribuídos pelo Centro Novas Oportunidades (CNO) que funciona na instituição.

Desde a sua abertura, em 2001, o CNO já certificou 1.420 alunos com o ensino básico e tem 459 em processo de certificação.

Em relação à certificação do ensino secundário, com a atribuição da equivalência ao 12º ano, o CNO tem neste momento 1.546 adultos inscritos e 174 em processo de certificação.

O governante, disse durante a cerimónia de entrega de certificados, que é o exemplo do NERGA "que dá a certeza" que o Governo está a "conseguir o objectivo" de aumentar a qualificação escolar dos portugueses.

Adiantou que, no final de 2007, o Governo espera que estejam certificados 100 mil adultos, em todo o país, com as competências do ensino básico e secundário.

Acrescentou que nos vários Centros de Novas Oportunidades existentes a nível nacional estão inscritos 250 mil adultos.

"Temos a obrigação estrita de organizar o sistema e de dar vazão a esta vontade", afirmou.

Valter Lemos recordou que é objectivo do Governo que, até 2010, possam ser qualificados um milhão de adultos em todo o país, no âmbito do programa Novas Oportunidades.

Outra das apostas está relacionada com a população estudantil, assegurando que, em relação aos mais novos, o objectivo passa por garantir que os alunos "não saiam da escola sem terem a sua oportunidade".

Recordou que quando o primeiro-ministro, José Sócrates, tomou posse, garantiu que "o principal objectivo do Governo seria a qualificação escolar e profissional dos portugueses".

Valter Lemos sublinhou que Portugal é "o país da Europa com menores taxas de qualificação", observando que "durante muitos anos, pensava-se que resolvíamos o problema esperando que o tempo passasse".

"Era bom que isso tivesse acontecido, mas não é verdade, porque o nosso sistema educativo não foi eficaz e deixou muita gente para trás", disse.

Para "corrigir" a situação, foi criado o programa Novas Oportunidades que, considerou será "uma nova oportunidade para os adultos poderem qualificar-se, já que, anteriormente, não tiveram uma oportunidade".

Adiantou que o próximo Quadro de Referência Estratégica (QREN) terá um programa operacional para qualificar o "potencial humano" e que Portugal irá procurar obter verbas para "conseguir maiores qualificações para a população".

Antes da cerimónia de entrega de 432 certificados de adultos com equivalência ao 9º ano, decorreu outra sessão, presidida pelo secretário de Estado Adjunto, da Indústria e Inovação, Castro Guerra, que consistiu na entrega de 150 computadores a adultos, ao abrigo do programa e.oportunidade.

Castro Guerra referiu na sua intervenção que Portugal seria, hoje, um país diferente "se tivesse a sua população mais qualificada".

"Temos população activa que não sabe ler nem escrever. Como é que se pode descodificar este mundo tão complexo, com uma lente tão precisa que é a lente da ignorância?", questionou.

Referiu que Portugal tem "apenas 20 por cento da população com ensino secundário" e que a faixa etária entre os 15 e os 65 anos "apenas 15 por cento da população activa tem o ensino secundário".

Numa comparação com países mais avançados, referiu: "É como se estivéssemos numa guerra em que no lado de lá há oficiais e sargentos mais bem preparados".

Tendo em conta esta realidade, o secretário de Estado Adjunto, da Indústria e da Inovação, afirmou que "qualificar os portugueses é a prioridade das prioridades".

"Qualificações e crescimento económico estão intimamente ligados. Investir nas qualificações compensa, porque as pessoas têm novas oportunidades e o rendimento cresce", disse Castro Guerra.

PUB