Associação Nacional Professores abre portas para ao retomar do diálogo com Governo

Braga, 15 Mar (Lusa) - A Associação Nacional de Professores (ANF) anunciou, hoje, em Braga, que a concessão da autonomia às escolas no processo de avaliação, por parte do Ministério da Educação, abre as portas para a retoma do diálogo com o Governo.

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O presidente do organismo João Grancho adiantou, em conferência de imprensa, que, "apesar de manter uma atitude inequívoca de apoio à luta dos professores", a ANF abre as portas ao diálogo com o Ministério da Educação "desde que a concessão de autonomia no processo se mantenha e que a ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, esteja aberta a reconsiderar o modelo".

O dirigente associativo falava, num hotel da cidade, no final da reunião do Conselho Nacional da ANF, onde participaram outros 50 dirigentes.

Na ocasião, e questionado sobre a prevista realização de uma manifestação de professores no Porto, à porta de um comício do PS, João Grancho disse que a Associação se desmarca deste tipo de iniciativas, sublinhando que entende serem "condenáveis e impróprias da classe".

Adiantou que a ANF "não participará, oficialmente, em iniciativas sindicais, desde que o diálogo com o Governo ocorra nos próximos três meses e que a concessão da autonomia não se revele uma mera jogada táctica".

Referindo-se ao que considerou ser uma concessão do Ministério no processo de avaliação, João Grancho apelou aos professores e aos órgãos das escolas "para que usem a autonomia que lhes foi concedida, em termos de avaliação".

Afirmou que, com a autonomia "o futuro da Avaliação já não está nas mãos do Ministério, está nas mãos dos professores".

"Se o Ministério exercer qualquer pressão sobre os órgãos das escolas ou sob os professores, directa ou indirecta, o diálogo será suspenso", acentuou, pedindo, também, ao Governo que deixe de pôr em causa publicamente a imagem dos profissionais de ensino".

Sustentou que a principal preocupação da classe docente não é a da Avaliação, é sim - defendeu - a do Estatuto da Carreira Docente, que considera ter sido criado com uma lógica "economicista e administrativista".

"Não abdicámos de uma revisão alargada do Estatuto", avisou.

A ANF contesta, também, a posição da Ministra, segundo a qual o sistema de avaliação só será revisto em 2009: "o sistema de avaliação pode ser reconsiderado e revisto até ao final do ano lectivo", referiu.

Manifestou-se convicto de que o Conselho Científico que agora começou a avaliar o sistema, se manifestará no sentido da sua reconfiguração.

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