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António José Seguro toma posse como Presidente da República

Associação pede ao novo Presidente que faça da fertilidade prioridade nacional

Associação pede ao novo Presidente que faça da fertilidade prioridade nacional

A Associação Portuguesa de Fertilidade pediu hoje ao novo Presidente da República que faça da fertilidade uma prioridade nacional, alertando que o direito à família e à saúde reprodutiva "não pode ficar refém da inércia política e administrativa".

Lusa /
Foto: Reuters

No dia em que António José Seguro toma posse como Presidente da República, a associação, que representa mais de 16.500 associados, apela ao chefe de Estado para que assuma como prioridades do seu mandato "a defesa dos direitos fundamentais, da coesão social e da dignidade humana no domínio da fertilidade".

"Esta é uma área persistentemente negligenciada pelo Estado, marcada por graves falhas estruturais em Portugal e que afeta diretamente milhares de pessoas e famílias", afirma a presidente da associação, Cláudia Vieira, citada no comunicado.

Segundo a organização, "a realidade no terreno permanece profundamente desigual e penalizadora para quem enfrenta infertilidade", uma condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que afeta uma em cada seis pessoas no mundo.

"A escassez persistente de doações no Banco Público de Gâmetas compromete o acesso efetivo aos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida (PMA) e as longas filas de espera para aceder a estes gâmetas ultrapassam limites clinicamente aceitáveis", alerta Cláudia Vieira.

De acordo com a responsável, "estas condicionantes reduzem drasticamente as probabilidades de sucesso dos tratamentos e empurram muitas pessoas para soluções no estrangeiro, acessíveis apenas a quem dispõe de recursos financeiros suficientes".

Paralelamente, afirma, "a gestação de substituição precisa da mão firme do Presidente da República, uma vez que a lei continua num inaceitável vazio jurídico".

A Associação lembra que "o prazo legal para a sua regulamentação foi ultrapassado há muito tempo sem que o Governo tenha apresentado qualquer solução, criando um cenário de insegurança jurídica, frustração e sofrimento para todas as pessoas que dependem deste recurso para concretizar um projeto parental".

De acordo com a lei, a gestação de substituição é apenas aplicável em casos de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão ou outra situação clínica que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez de uma mulher.

Para a Associação Portuguesa de Fertilidade, "o direito a constituir família e o acesso à saúde reprodutiva não podem continuar reféns da inércia política e administrativa".

Cláudia Vieira realça que "a fertilidade não é um tema secundário nem ideológico: é uma questão de saúde pública, de igualdade e de direitos humanos, e o Estado não pode continuar a falhar a quem espera há anos por respostas".

"Esperamos que o novo Presidente da República possa usar a sua magistratura de influência para promover o debate público, incentivar soluções concretas e contribuir para desbloquear processos legislativos e regulamentares que permanecem injustificadamente parados", defende.

A Associação Portuguesa de Fertilidade reafirma a sua total disponibilidade para colaborar com os órgãos de soberania na construção de políticas públicas baseadas na evidência científica, na ética e no respeito pela dignidade de todas as pessoas.

Cláudia Vieira adianta que a associação vai pedir uma audiência ao novo Presidente da República para debater as políticas de fertilidade e sensibilizar para os problemas estruturais no acesso aos tratamentos de PMA.

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