Associações de pais acusam PSP de "abuso de autoridade" contra estudantes

Braga, 18 jan (Lusa) - A Federação das Associações de Pais de Braga acusou a Policia de Segurança Publica (PSP) de "abuso de autoridade" e "uso excessivo de força" por esta usar gás pimenta Publica durante a manifestação de estudantes desta manhã, em Braga.

Lusa /

Em comunicado enviado à agência Lusa, a federação afirmou "compreender" a atitude dos alunos da Escola Alberto Sampaio, que se manifestaram contra a agregação daquele estabelecimento de ensino num mega agrupamento, embora afirme "não concordar" com a ação de protesto desta manhã.

As associações de pais "lamentam" e "condenam" a intervenção da PSP e o recurso por parte desta ao uso de gás pimenta, do qual resultaram seis jovens feridos.

"Não pode também esta federação, deixar de lamentar e de reprovar a atuação das forças policiais, na sua intervenção, pelo uso excessivo da força e de outros meios de dissuasão, como o uso de Gás Pimenta, contra crianças e jovens", lê-se no comunicado.

Ação esta que, segundo a Federação das Associações de Pais de Braga, configura "excesso de zelo e abuso de autoridade de alguém que tem a responsabilidade de garantir a segurança, ordem pública e constituir exemplo de comportamento e de educação para as nossas crianças e jovens".

A Federação questiona o argumento dos responsáveis da PSP - Braga que, segundo o comunicado, justificaram a atuação dos agentes com o facto de os estudantes terem "colocado em causa a integridade física dos agentes de autoridade".

Argumento ao qual a Federação interroga como pode ser "posta em causa a integridade física dos agentes por crianças e jovens", uma vez que as idades dos manifestantes estavam compreendidas entre os 12 e os 17 anos.

Sobre o protesto dos alunos, a Federação dá conta que entende os estudantes.

"Atitude [a manifestação] dos estudantes que compreendemos, mas com que esta federação não concorda, atuação que poderá eventualmente alastrar-se a outras Escolas do Concelho de Braga" avisa.

O protesto dos estudantes, explica o comunicado, é uma resposta "contra um erro grave e altamente prejudicial para o seu futuro que esta medida comporta" mas também "contra a insensibilidade e indiferença do Ministério, para as posições e propostas da comunidade educativa de Braga".

As associações de pais criticam ainda o Governo afirmando que o ministério da Educação "unilateralmente decide contra tudo e contra todos e custe o que custar".

Além disso, aponta o comunicado, o Governo "não tem em conta a realidade de cada Escola e as suas especificidades e vai contra todos os pareceres e estudos Nacionais e Internacionais, que sugerem cada vez mais autonomia para as Escolas e unidades mais pequenas".

Dos seis alunos assistidos pelo INEM no local, dois seguiram para o Hospital de Braga, já se encontrando em casa.

JYCR // MSP

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