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Associações protecção animais processam Câmara de Torres Vedras por incúria

Associações protecção animais processam Câmara de Torres Vedras por incúria

Três associações de protecção de animais anunciaram hoje que vão processar a Câmara de Torres Vedras por ter deixado que 63 cães vivessem abandonados no interior de uma casa de Ribeira de Pedrulhos durante mais de seis meses.

Agência LUSA /

A ANIMAL, a Associação de Protecção aos Animais de Torres Vedras (APATV) e a Associação de Protecção dos Animais Abandonados do Cartaxo (APAAC) vão accionar, contra a Câmara Municipal de Torres Vedras, "os procedimentos judiciais por omissão de acção a que estavam obrigados", além de exigirem a penalização dos responsáveis pelo abandono.

Os cães, que estavam abandonados numa vivenda há mais de seis meses, foram retirados da casa na semana passada.

A Câmara Municipal de Torres Vedras teve conhecimento do problema através de uma carta anónima que denunciava o abandono de cerca de 20 a 30 animais, recebida no final do ano passado.

De acordo com o vereador do pelouro do Ambiente da autarquia, Carlos Bernardes, a edilidade actuou "em função do quadro legal", seguindo todos os trâmites estabelecidos na lei, desde a deslocação da delegação de saúde à notificação da proprietária, que não chegou a ser encontrada, até à autorização, "há cerca de oito dias, do companheiro da dona da casa" que permitiu a entrada dos responsáveis da Câmara.

"A lei prevê que, caso as diligências legais não resultem, o presidente da Câmara pode solicitar a emissão de um mandado judicial" que permitiria a entrada na residência "arrombando até, se fosse preciso", alega Miguel Moutinho, director executivo da ANIMAL.

Um dos moradores, José Pereira disse que o local "foi visitado por todas as autoridades desde a Câmara, saúde pública e GNR mas ninguém fez nada".

De acordo com os ofícios que receberam da Câmara, a autarquia notificou em Fevereiro a proprietária da residência (que deixou de ali habitar) a, no prazo de um mês, a limpar o local retirar os animais.

A ordem acabaria por não ser cumprida e o caso passou para as mãos da GNR, a quem competia encontrar a proprietária, mas a guarda também acabou por não a encontrar.

Por seu lado, o veterinário municipal, José Manuel Ferrão, disse à Lusa que teve conhecimento do problema há cerca de quatro meses.

Questionado pela Lusa sobre o porquê de a Câmara não ter agido coercivamente, o veterinário municipal disse que não pôde intervir mais cedo por "não ter conseguido encontrar ninguém que abrisse a porta".

"Em três ou quatro meses já cá viemos cinco ou seis vezes, mas não podíamos é invadir a propriedade privada. O que aconteceu hoje foi um acto de boa vontade do senhor (a única pessoa que uma vez por semana alimentava os animais) porque caso contrário só com mandado judicial", explicou.

A presidente da Associação de Protecção aos Animais de Torres Vedras (APATV), Olinda Dias, testemunha do resgate dos 63 animais efectuado pela Câmara, classifica de "indescritível" o que foi encontrado.

Os cães circulavam pela casa, sedentos e esfomeados, e os seus excrementos chegavam até meio das paredes.

"Quando entrámos, uma cadela estava a parir enquanto outros cães comiam as crias", relata Olinda Dias.

"Trata-se de um perigo para saúde pública", alega a presidente da APATV, referindo que os animais encontrados "viveram num clima de horror".

Os cães, propriedade de uma senhora que recolhia animais abandonados e que entretanto mudou de residência, eram "tratados" por um senhor que ia "de vez em quando dar-lhes ração e que deitava fora os animais mortos", explica Olinda Dias.

ZCM/ZO.

Lusa/Fim


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