Aterro Sanitário fechado após seis anos a receber lixo
O aterro sanitário de Trajouce, onde foram depositados 1,5 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos durante seis anos, foi hoje encerrado, sendo substituído por outro em Mafra em 2007, anunciou hoje a empresa Tratolixo.
O limite de exploração daquele aterro foi atingido em 2003 e actualmente os resíduos indiferenciados são encaminhados para aterros de sistemas vizinhos, como a Solurbe e a Amarsul, e para a incineração na Valorsul.
O presidente da Tratolixo - empresa responsável pela gestão de resíduos dos concelhos da Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra - anunciou durante a cerimónia de encerramento do aterro que vai ser construído um novo em Mafra, que deverá estar concluído em meados de 2007 e tem um valor estimado de 40 milhões de euros.
"Associada ao encerramento deste aterro está um conjunto de investimentos que vamos desenvolver como a construção de mais uma unidade de tratamento, com capacidade para 128 mil toneladas/ano, e um novo aterro para rejeitados que vão ser construídos em Mafra", adiantou o responsável, em declarações aos jornalistas.
Segundo Rui Ribeiro, a nova estratégia da empresa assenta na valorização dos resíduos recicláveis, com o reforço dos Ecopontos (contentores de recolha selectiva do lixo), a criação de circuitos de recolha porta-a-porta de recicláveis e a recolha selectiva dos restos de comida.
Rui Ribeiro garantiu, que o aterro foi selado "com todas as garantias em termos ambientais" de modo a assegurar uma maior segurança durante os próximos 30 anos, período em será continuadamente monitorizado.
"A Tratolixo vai ter a responsabilidade de monitorizar o aterro durante os próximos 30 anos", tempo que a terra irá demorar a digerir todos os resíduos, afirmou o responsável, garantindo que o "aterro foi bem construído, foi bem explorado e foi bem selado".
O presidente da Tratolixo adiantou que o processo de selagem do aterro - orçado em cerca 1,5 milhões de euros - está concluído no que respeita à impermeabilização, faltando apenas a cobertura vegetal que ainda não avançou devido às condições climatéricas.
Anunciou ainda que no início do próximo ano e durante dez anos, a empresa vai começar a aproveitar o biogás do aterro para produzir energia eléctrica.
Um estudo de viabilidade verificou que o Aterro Sanitário de Trajouce poderá produzir cerca de um megawatt (mw) de energia eléctrica durante aproximadamente 10 anos, pelo que foram projectados e executados 16 novos poços para drenagem de biogás.
"Aquilo (o aterro) que foi um problema até há pouco tempo vai se calhar ser um grande benefício para as populações envolventes", salientou Rui Ribeiro, adiantando que o espaço vai ser recuperado a nível paisagístico, podendo ser transformado num espaço urbano de fruição para a população.
Presente na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, afirmou que o encerramento do aterro "já tardava", uma vez que já estava esgotado, e que "a busca de uma solução amiga do ambiente foi morosa e exigiu diversos contactos governamentais".
"Passaremos a ter a partir deste momento um sistema de separação do lixo, o que nos vai permitir aproveitar e reciclar incomparavelmente mais do que fazíamos até agora", sustentou à Agência Lusa António Capucho.
Para o autarca, deve haver um "fortíssimo investimento" na sensibilização das pessoas para separarem o lixo A exploração do aterro sanitário, com uma área de sete hectares, teve início em Setembro de 1997. Desde essa data e até 2003 foram depositados 1.520.181 toneladas de lixo, equivalente a 11.177.801 contentores de 800 litros completamente cheios.
Foram utilizadas no aterro 125.000 m3 de terra (equivalente a 50 piscinas olímpicas cheias).