Augusto Santos Silva (PS) acusa Governo de fazer propaganda
O dirigente socialista Augusto Santos Silva acusou hoje o Governo de estar a conceber "um instrumento de propaganda" que não cabe nas funções do Estado ao criar uma central de comunicação.
"O ministro Morais Sarmento está, à custa dos dinheiros públicos, a conceber um instrumento de propaganda onde não deve haver propaganda", acusou, referindo-se ao Gabinete de Informação e Comunicação, cuja criação foi aprovada a 30 de Setembro pelo Governo, que vai atribuir-lhe dois milhões de euros no próximo ano.
Augusto Santos Silva falava numa conferência realizada na Biblioteca-Museu República e Resistência, em Lisboa, sobre a imprensa partidária, durante a qual expôs a estratégia do órgão de informação oficial do PS, o Acção Socialista, do qual é director.
Em tom irónico, Santos Silva, membro da Comissão Política do PS, equiparou a central de informação do Governo à máquina de propaganda socialista.
Além do órgão oficial, o Acção Socialista, o PS tem também a revista "de formação de quadros" Portugal Socialista, o site do PS na Internet, o jornal Jovem Socialista, Mulheres Socialistas, e as revistas das Fundações Antero de Quental e José Fontana.
"Eu estou quase a pedir meças ao ministro Morais Sarmento no controlo da comunicação social", ironizou, sustentando que dos partidos políticos se espera acções de propaganda, mas não dos Governos.
Salientando que falava na qualidade de sociólogo, o ex- ministro da Cultura considerou ainda que "existe um desequilíbrio na comunicação social portuguesa a favor da direita, sobretudo na cultura audiovisual e jornalística, que produz uma cultura de direita populista".
Como exemplo, Santos Silva disse que o resultado da "cultura de direita populista" é "uma progressiva forma de conceber um +star system+ à escala portuguesa".
Nesse sentido, referiu-se à presença do autarca de Marco de Canaveses, Avelino Ferreira Torres, no programa da TVI "Quinta das Celebridades", que "quis mostrar-se aos amarantinos", aludindo a uma eventual candidatura do autarca à Câmara de Amarante.
Santos Silva comparou a presença de Avelino Ferreira Torres na "Quinta das Celebridades" à "frequência" do primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, e do ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, "nas revistas cor-de-rosa".
"A frequência de Santana Lopes e de Paulo Portas nas revistas cor-de-rosa não é apenas um problema de idiossincrasia própria, é um problema funcional. E é a presença nesse mundo que lhe dá a projecção para o outro (poder político)", disse.
Sobre o órgão oficial do PS, Santos Silva disse que, enquanto director do Acção Socialista, "também sofre pressões dos militantes" do PS, para que o órgão do PS publique as suas iniciativas.
Quanto às opções editoriais do Acção Socialista, Santos Silva afirmou que o jornal é um instrumento interno de propaganda e "socialização dos militantes na linha política da direcção do PS".
"O director do Acção Socialista é membro da direcção política do partido e o jornal defende e justifica a linha política da direcção", afirmou, salientando que apesar disso "há espaço" para as vozes críticas.
Com a reestruturação sofrida após Ferro Rodrigues ter sido eleito secretário-geral do PS, o Acção Socialista passou a ser quinzenário e enviado gratuitamente a todos os militantes com as cotas em dia, o que significa uma tiragem de 40 a 50 mil exemplares, adiantou.