Aumenta esperança de vida para doentes com cancro do fígado
A esperança de vida dos doentes com cancro do fígado aumentou cerca de metade com a administração de um medicamento que vai estar à venda em Portugal, revela um estudo publicado hoje nos Estados Unidos.
O sorafenib (substância activa), comercializado em comprimidos, já foi autorizado em Portugal, mas ainda não está à venda, segundo informações do site na Internet do Infarmed (Instituto da Farmácia e do Medicamento).
Este medicamento é destinado a tratar o cancro do rim, mas está a ser objecto de vários estudos que visam avaliar a sua capacidade para tratar outros tipos de cancro.
No estudo conduzido pela Faculdade de Medicina de Monte Sinai, Nova Iorque, o sorafenib prolongou a vida aos pacientes com cancro do fígado, segundo a agência France Press.
Os ensaios clínicos foram conduzidos em 602 doentes que não tinham sido submetidos anteriormente a qualquer tratamento.
Um grupo de 299 doentes tomou 400 miligramas do medicamento duas vezes por dia durante seis meses e ao restante grupo de 303 pacientes foi administrado um placebo (um medicamento inócuo).
Nos que tomaram sorafenib, a duração média de sobrevivência depois do diagnóstico foi de 10,7 meses, enquanto no outro grupo foi de 7,9 meses.
A progressão do cancro mostrou-se mais lenta nos doentes que foram tratados com sorafenib do que nos que apenas ingeriram placebos.
Um outro estudo divulgado hoje nos Estados Unidos mostra que a quimioterapia combinada com cirurgia para retirar metástases do fígado nos doentes com cancro colo-rectal reduz fortemente o risco de ressurgimento de tumor hepático.
"Esta abordagem pode transformar a terapia usual para os pacientes com cancro colo-rectal tendo metástases no fígado", afirmou Bernard Nordlinger, chefe do serviço de cancro do hospital Ambroise Paré em Paris, o principal autor do estudo.
Cerca de metade das pessoas com cancro colo rectal desenvolvem metástases no fígado e o tratamento habitual actualmente é uma extracção dessas metástases através de cirurgia.
Contudo, o ressurgimento do tumor é frequente e apenas entre 30 a 35 por cento dos doentes que têm metástases do fígado sobrevivem cinco anos após a intervenção cirúrgica.
O estudo que concluiu sobre os benefícios de um tratamento combinado entre a quimioterapia e a cirurgia foi conduzido entre 2000 e 2004 em 303 pacientes com cancro colo-rectal com metástases no fígado.
Metade dos doentes (151) foram submetidos ao novo tratamento (com seis séries de quimioterapia, seguida de cirurgia e novas sessões de quimioterapia) para reduzir as metástases e a outra metade apenas se submeteu a intervenção cirúrgica.
Depois de terem sido acompanhados durante quatro anos, 42,9 por cento dos pacientes submetidos ao tratamento combinado não tiveram qualquer ressurgimento de tumores no fígado, enquanto no outro grupo esse valor foi de 33,2 por cento.