Aumento de pólens no ar devido a seca dificulta vida a alérgicos
O ano de 2005 está a ser particularmente gravoso para todos aqueles que são alérgicos a pólens devido às condições climatéricas existentes, como a seca, que levam a um aumento destas partículas no ar, foi hoje anunciado.
Carlos Nunes, da direcção da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), afirmou que, este ano, a seca interferiu na qualidade de vida dos doentes com alergias a pólens, uma vez que, sobretudo na Primavera, houve uma maior quantidade destas partículas no ar.
"Este ano houve mais pólens do que no ano passado e não sabemos se a seca vai continuar", disse o médico, que falava aos jornalistas no âmbito da apresentação da Rede Portuguesa de Aerobiologia (RPA).
A alergia a pólens é uma causa frequente de manifestações alérgicas, que podem ser do aparelho respiratório (asma e rinite alérgica), dos olhos (conjuntivite alérgica) ou da pele (urticária e eczema).
O responsável referiu que na Primavera deste ano os pólens cresceram mais de 20 por cento no Sul do país relativamente a 2004, essencialmente por ser uma zona onde houve menos chuva.
"Com pouca água as plantas tentam procriar (polinizar) mais para sobreviver", sustentou Carlos Nunes.
O vento e a subida da temperatura são outros factores que influenciam maiores concentrações de pólens.
Visando contribuir para melhorar a qualidade de vida destes doentes, foi criada a RPA, responsável pela análise do conteúdo do ar em partículas biológicas que podem ter um efeito sobre a saúde humana.
Esta rede, que nasceu em 2002, mas que está a funcionar em pleno apenas desde o início deste ano, é constituída por cinco estações ou centros de monitorização - Porto, Coimbra, Lisboa, Évora e Portimão.
O objectivo desta rede é criar uma base de dados com informação aerobiológica nacional para investigação e divulgar, a nível local e nacional, a informação sobre os pólens mais comuns e níveis de concentração de cada tipo.
De acordo com dados revelados hoje, os níveis polinicos mais elevados verificaram-se no final do Inverno e durante a Primavera, entre Março e Maio, principalmente como resultado do grande número de plantas que polinizam nesta altura do ano.
Nas estações de Évora e Portimão, o mês de Maio foi o que apresentou valores polinicos mais elevados, enquanto nas estações do Porto, Lisboa e Coimbra registou-se um maior valor de pólens no ar em Março.
É intenção da SPAIC abrir em 2006 duas novas estações de monitorização, no Funchal e em Ponta Delgada, bem como alargar esta investigação aos fungos, também responsáveis por muitas alergias, nomeadamente ao nível do nariz e do pulmão.
Carlos Nunes salientou que esta rede pode beneficiar muito os doentes com alergias a pólens, uma vez que disponibiliza diariamente na Internet um boletim Polinico.
Este boletim fornece informação sobre os pólens mais frequentes no território nacional, dividindo-os por zonas e quantificando as suas concentrações.
"Consultando o boletim, o doente com este tipo de patologia pode precaver-se antes de sair de casa", disse, acrescentando que a SPAIC estima que entre cinco a sete por cento dos portugueses tenha alergia a pólens.