Autarca de Barcelos critica Governo devido a portagens na auto-estrada A11

O presidente da Câmara de Barcelos, Fernando Reis, lamentou hoje que a auto-estrada A11, que liga Braga a Esposende, tenha portagens, considerando que tal "discrimina o vale do Cávado".

Agência LUSA /

"Ainda há dias foi lançada uma auto-estrada sem portagens no vale do Lima", recordou, considerando que a região do Cávado, onde predomina o sector têxtil, "é uma das mais deprimidas do país e tem altas taxas de desemprego".

O autarca social-democrata falava durante a cerimónia de inauguração do troço entre Barcelos e Esposende da auto-estrada A11, acto que foi presidido pelo primeiro-ministro, José Sócrates, que estava acompanhado do Ministro do sector, Mário Lino.

O troço da A11 - que liga Braga a Esposende - tem uma extensão de nove quilómetros e foi construída pela Aenor-Auto-Estradas do Norte, SA, tendo custado 37,5 milhões de euros.

Para Fernando Reis, embora a nova auto-estrada venha "beneficiar a economia da região", a ausência de portagens contribuiria para diminuir as assimetrias existentes face a outras regiões mais favorecidas.

Disse que "é difícil para os habitantes da região compreenderem quais os critérios aplicados na cobrança de portagens nas auto-estradas" e insistiu na tese de que, sem portagens, beneficiaria a indústria e a população da zona.

Pediu, ainda, ao Primeiro-Ministro a construção de uma variante entre a Estrada Nacional 103 em Barcelos, e o IC1, que passa em Esposende, como alternativa à auto-estrada.

A posição do autarca é partilhada pelo Presidente do Município de Esposende, João Cepa, também do PSD, que não esteve na cerimónia por "razões de agenda".

Para percorrer os 24 quilómetros entre Braga e Esposende, os automobilistas terão de pagar 2,2 euros, o que os dois autarcas consideram ser "exagerado" e impeditivo do uso generalizado da auto- estrada.

No Verão são frequentes e extensas as filas de milhares de automóveis que regressam das praias de Esposende a Braga e ao interior do distrito na Nacional 103.

Na ocasião, o primeiro-ministro, José Sócrates, não respondeu às críticas de Fernando Reis, optando por evidenciar as vantagens da auto-estrada para a economia minhota e para os automobilistas.

Aos jornalistas disse que não falava de portagens e escusou-se a comentar qualquer outro tema, declarando não ser "comentador político".

O governante acabou por não fazer a viagem inaugural em autocarro até Esposende, que estava anunciada, - tendo viajado directamente para Braga - para evitar uma manifestação de cerca de 150 pessoas que se haviam postado na freguesia do Carvalhal, em plena via, para protestar contra alegados atrasos no pagamento de indemnizações pela Aenor.

Segundo os residentes - que não gostaram nada da "fuga" do Governo -, a Aenor teve de fazer diversos rebentamentos de pedra na zona do Monte da Franqueira, em Barcelos, os quais provocaram danos em muitas habitações.

Até hoje - garantem - a Aenor ainda não cumpriu a promessa de os indemnizar pelos estragos.

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