Autarca de Santarém alerta para mortandade de peixes no rio Alviela

O presidente da Junta de Freguesia de Vaqueiros (Santarém) alertou hoje para uma centenas de peixes mortos no rio Alviela, alegadamente causada por uma forte concentração de químicos num dos açudes daquele curso de água.

Agência LUSA /

"No açude da Azenha, constatei a existência de muitos peixes mortos e o rio está totalmente coberto por uma película verde durante um quilómetro a montante", afirmou Firmino Oliveira, que aponta responsabilidades a deficiências do sistema de tratamento dos efluentes das fábricas de curtumes do concelho de Alcanena.

No início do mês, o autarca já havia alertado a GNR para o risco de mais peixes mortos, uma denúncia que se veio hoje a confirmar.

"Verifica-se uma série de situações que eu já esperava porque os peixes estavam com muito pouca água limpa e a chuva dos últimos dias deve ter revolvido toda a poluição existente", disse o autarca, que compara esta situação com o que se passou há dois anos.

Para já, os peixes mortos apareceram somente na zona do concelho de Alcanena mas, nos próximos dias, Firmino Oliveira teme que "a mortandade alastre", atingindo também a sua freguesia, localizada a montante do açude da Azenha.

O autarca acusa a Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena de funcionar de forma deficiente, libertando muitos metros cúbicos de efluentes químicos da indústria de curtumes da zona directamente para o curso de água.

Este equipamento foi construído nos anos 90, mas a associação que gere o sistema de saneamento de Alcanena, constituída pela autarquia e industriais, alega não ter capacidade para assumir os avultados investimentos necessários à reparação de algumas condutas e à conclusão das obras previstas inicialmente no projecto.

Nos últimos anos, as populações ribeirinhas têm alertado para as sucessivas descargas de produtos químicos no Alviela, invertendo a tendência de melhoria da qualidade daquele curso de água.

Agora, Firmino Oliveira lamenta que o problema não seja resolvido pelo Governo que "ainda não deu qualquer sinal que quer intervir neste drama ambiental".

PUB