Autarcas de Mértola e Serpa contra eventual instalação de campo de tiro na região
Beja, 22 Nov (Lusa) - Autarcas de Mértola e Serpa manifestaram-se hoje contra a eventual instalação de um campo de tiro na serra comum aos dois concelhos para substituir o de Alcochete, alegando estar previsto um projecto turístico para a zona.
O Campo de Tiro poderá ter que ser transferido de Alcochete, mesmo que a opção para o novo aeroporto de Lisboa seja a Ota, por razões de segurança, segundo um documento da Força Aérea Portuguesa (FAP) a que a agência Lusa teve acesso.
Fonte da FAP disse à Lusa que o ramo já entregou à tutela as alternativas ao Campo de Tiro, uma estrutura de treino militar gerida pela Força Aérea, mas também utilizada pela Marinha e pelo Exército.
A fonte escusou-se, no entanto, a revelar os locais alternativos, mas em Julho, fontes militares disseram à agência Lusa que a zona de Mértola, "pelas características do terreno e baixa densidade demográfica", poderia ser uma "alternativa a estudar".
De acordo com o presidente do município de Mértola e o vice-presidente de Serpa, o socialista Jorge Pulido Valente e o comunista José Sesinando, um técnico esteve esta semana nos departamentos técnicos das duas autarquias, para avaliar terrenos nos concelhos.
No caso de Mértola, semelhante ao de Serpa, "o técnico pediu para consultar o Plano Director Municipal, para identificar e avaliar terrenos no concelho para um estudo com vista à eventual instalação de um campo de tiro", explicou Jorge Pulido Valente.
"Não aceitamos a instalação de um campo de tiro no concelho, porque irá comprometer um projecto turístico luso-espanhol previsto para a Serra de Serpa/Mértola", afirmou à Lusa Jorge Pulido Valente.
Segundo o autarca, "trata-se de um projecto ligado ao turismo equestre, de grande dimensão e decisivo para o desenvolvimento de Serpa e Mértola e que tem o apoio das duas autarquias" e já foi apresentado à Agência Portuguesa para o Investimento, Instituto de Turismo de Portugal e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.
"Ainda não há uma decisão concreta, mas, à partida, o município de Serpa não vê com bons olhos a instalação de um campo de tiro no concelho", afirmou José Sesinando, frisando tratar-se de "uma opinião pessoal e partilhada pelo presidente da autarquia".
O concelho de Serpa "precisa de investimentos que tragam progresso e criem emprego e não de campos de tiro", defendeu o autarca, sugerindo, ironicamente, a Ota como "uma boa zona para instalar o Campo de Tiro de Alcohete".
Por outro lado, acrescentou, a zona apontada para o campo de tiro, além de "comprometer" o projecto turístico luso-espanhol, "irá colidir com uma estrada municipal que a autarquia está a construir até à ponte luso-espanhola", que deverá estar concluída em Junho de 2008 para ligar Serpa a Paymogo (Huelva).
Segundo José Sesinando, a Câmara de Serpa vai gastar cerca de 3,5 milhões de euros com as obras de alargamento e repavimentação da estrada municipal entre São Marcos e a ponte, com cerca de 18 quilómetros.
A construção da estrada faz parte das conexões viárias de Huelva, Baixo Alentejo e Algarve, com financiamento da União Europeia, através do programa Interreg.
Ao abrigo do projecto, a Junta da Andaluzia espanhola, num investimento total de 1,9 milhões de euros, está a construir, sob a Ribeira do Chança, a ponte luso-espanhola para ligar o concelho de Serpa ao município espanhol de Paymogo e que constitui uma reclamação antiga das populações raianas e autoridades locais.