Autarquia de Odivelas quer criar "pulmão verde" do concelho na Paiã
O presidente da Câmara de Odivelas quer alargar o pinhal da Paiã, criando ali um "pulmão verde" do concelho, e construir no local um complexo lúdico-desportivo, anunciou hoje, num almoço de comemoração do sexto aniversário do município.
A requalificação urbana e ambiental é um dos objectivos que a autarquia traçou para 2005.
"Falta-nos uma zona verde como Montachique [parque florestal em Loures]. Nós gostávamos de reflorestar o pinhal da Paiã, ampliando aquela área três ou cinco vezes".
O projecto está dependente da desafectação dos terrenos, pertencentes ao Ministério da Administração Interna e ao Governo Civil de Lisboa.
Em projecto está também a criação de "um grande complexo lúdico-desportivo, avaliado em cerca de nove milhões de euros".
Manuel Varges notou ainda que parte dos terrenos, junto à escola agrícola da Paiã, está ocupada "com entulho".
Ainda no que respeita às questões ambientais, Manuel Varges realçou que a construção de novas vias rodoviárias contribuiu muito para a consolidação de taludes e para a regularização das ribeiras.
"A pressão sobre as grandes linhas de água aligeirou. Os problemas que existem actualmente prendem-se mais com a limpeza urbana", disse o responsável da Câmara, alertando no entanto para a necessidade de o Instituto da Água (INAG) "fazer algumas intervenções de fundo".
"Estava inscrita uma verba de dez milhões de euros em PIDDAC, mas desapareceu", lamentou o autarca, acrescentando que a Câmara gasta anualmente 500 mil euros com custos de manutenção relacionados com a desobstrução das linhas de água.
A legalização dos bairros clandestinos é outra prioridade do município.
"Herdámos 93 bairros clandestinos. O processo de legalização começou um ano depois de nos constituirmos como município e actualmente 50 já têm alvará, ou seja, foi legalizado 70 por cento do território ocupado por clandestinos".
A Câmara gastou ainda 1,8 milhões de euros para apoiar os bairros mais problemáticos no processo de legalização.
Manuel Varges aludiu ainda aos problemas de instalação inicial do município, que obrigaram a que o novo concelho se estreasse com uma dívida de 50 milhões de euros (incluindo os 28 milhões de euros que devem ainda ao município de Loures).
"Faltou o apoio técnico e financeiro", lamentou o autarca.
Os serviços municipalizados de Loures continuam ainda a assegurar o serviço à população de Odivelas até que esta Câmara tenha condições para o autonomizar ou partilhar a gestão.
A conclusão do PDM é outra aposta estratégica do município.
"Já está aprovado o estudo prévio e vamos ter o ante-projecto até ao fim do ano. Depois entramos na fase de discussão pública. O projecto final tem de ser submetido às entidades competentes que dão parecer vinculativo e depois regressa à Câmara. Esperamos que tudo esteja concluído até ao final de 2006", salientou o presidente da Câmara de Odivelas.