Autarquia de Santarém quer conhecer todas as fontes de poluição do Alviela
A Câmara Municipal de Santarém vai promover um estudo ambiental do ecossistema do rio Alviela, o qual irá, pela primeira vez, inventariar todas as fontes de poluição do rio e definir uma estratégia de actuação, disse fonte da autarquia.
Maria João Cardoso, chefe da divisão de resíduos e promoção ambiental da Câmara Municipal de Santarém, disse à agência Lusa que, no âmbito do Festival de Música do Alviela, que decorre este fim-de-semana junto às margens do rio, na freguesia de Vaqueiros, a autarquia decidiu avançar para a realização de um "diagnóstico ecológico, biofísico e sócio-económico".
Esse trabalho, a realizar até Novembro em colaboração com técnicos especialistas nas várias áreas, deverá culminar num "plano de intervenção para a recuperação do ecossistema do rio", com indicação de medidas mitigadoras que ajudem à sua recuperação, disse.
Maria João Cardoso foi a responsável pela montagem da "Aldeia do Ambiente" no espaço onde decorre o Festival do Alviela, em colaboração com instituições como o Instituto da Água (INAG) e a organização não governamental Amigos da Vida Selvagem (AVS).
Com a expectativa de que o Festival possa levar o tema do Alviela ao país, a técnica afirmou que a criação, nesta segunda edição, de um espaço dedicado às questões do Ambiente vai ajudar na sensibilização dos muitos visitantes esperados nos três dias do evento.
Em particular, o debate agendado para a tarde de domingo, no qual a Empresa Municipal Águas de Gaia vai apresentar o "caso de sucesso" que tem sido a despoluição das ribeiras de Gaia, poderá, no seu entender, ajudar a "encontrar caminhos" e "perceber como foi possível envolver várias entidades públicas e empresas" no processo.
Depois dos técnicos, será a vez de os políticos, nomeadamente deputados eleitos pelo distrito, se pronunciarem e assumirem posição sobre os caminhos que possam levar à recuperação do Alviela.
O Festival Live Experiences in Alviela, promovido pela autarquia e organizado pela Global Share, abriu sexta-feira à noite, duas horas depois do previsto, com um espectáculo dos H2Fish, junto ao rio, com os figurantes a gritarem palavras de ordem em defesa do Alviela.
Com a "Aldeia Campismo" praticamente cheia, a noite de abertura prosseguiu com os Mundo Secreto e os Plástica, com algumas centenas de fãs, seguindo-se a actuação de Pedro Abrunhosa e os Bandemónio, que, segundo a organização, reuniu uma assistência de cerca de 7.500 pessoas.
A noite prosseguiu com os DJs Pina e o vocalista dos Blasted Mechanism, Karkov.
Hoje, no palco principal actuarão os Vaguement La Jungle (World Music), os Classificados e os Xutos e Pontapés, culminando a noite, na qual a organização espera 10.000 visitantes, com o DJs Set Dezperados, Riot dos Buraka Som Sistema e Cool Train Crew.
A "Aldeia Radical" permite, ao longo do dia, actividades como treino físico militar, escalada, rappel, slide, voo de balão e canoagem.
O rio Alviela, que nasce na serra da Mendiga, concelho de Alcanena, e desagua no Tejo, em Santarém, chegou a ser uma das principais fontes de abastecimento de água a Lisboa.
Vítima da poluição, tanto da indústria de curtumes de Alcanena como das suiniculturas e pecuárias e da ausência de tratamento dos esgotos domésticos dos dois concelhos, o rio tornou-se num dos mais poluídos do país.
A construção da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena permitiu uma recuperação das águas do rio, mas as deficiências do sistema, que se têm vindo a agravar nos últimos anos, e a continuação de outras fontes poluidoras, fizeram regressar os episódios da mortandade periódica de peixes.
Uma petição entregue no Parlamento em Março aguarda ainda agendamento para a questão do Alviela ser discutida em plenário na Assembleia da República.