Autópsia indica que travesti assassinado foi atirado com vida ao poço
A autópsia realizada ao travesti sem- abrigo que alegadamente foi morto por um grupo de adolescentes no Porto revela que a vítima terá sido atirada ainda com vida para o poço de um prédio abandonado, noticia hoje a imprensa.
Segundo o Diário de Notícias, o primeiro sinal foi o facto de o corpo não ter sido encontrado a boiar, mas submerso, o que indica que não estaria morto quando foi atirado para o poço.
Em exames complementares realizados no âmbito da autópsia os peritos encontraram nos órgãos internos de Gisberta (como era conhecido o travesti) organismos idênticos aos que existem na água do poço, escreve o DN citando uma fonte judicial.
A investigação começa assim a encontrar uma causa para a morte do sem-abrigo, refere o jornal, acrescentando que "o nexo causal poderia ser bastante difícil de averiguar se o corpo já tivesse sido atirado ao poço sem vida", pois tudo indica que a vítima tenha sido agredida várias vezes por indivíduos diferentes ao longo de vários dias.
Daí - acrescenta o DN - os primeiros resultados da autópsia, conhecidos no início desta semana, não terem sido conclusivos.
Segundo a imprensa, o corpo do sem-abrigo é transladado hoje para o Brasil.
O crime terá sido cometido no fim-de-semana de 18 e 19 de Fevereiro, mas o corpo só foi encontrado na quarta-feira seguinte num poço.
O grupo de 14 adolescentes, com idades entre os 13 e os 16 anos, suspeitos do homicídio foram já ouvido pelo Tribunal de família e Menores e Tribunal de Instrução Criminal, do Porto.
O Tribunal de Família e Menores do Porto ordenou o internamento em centros educativos de 11 dos 13 jovens, com idades entre os 13 e os 15 anos.
Aqueles 11 adolescentes vão permanecer três meses em centros educativos, um em regime fechado e os restantes dez em regime semi- aberto.
O tribunal decidiu também entregar um dos adolescentes à guarda da instituição onde reside, a Oficina S.José, enquanto o décimo terceiro ficou ilibado de qualquer procedimento.
O jovem de 16 anos ouvido no Tribunal de Instrução Criminal do Porto ficou em prisão preventiva a aguardar julgamento.
Os 14 menores, 13 a viver na Oficina São José e o outro no Centro Juvenil de Campanhã, foram identificados pela PJ como presumíveis autores do homicídio e ocultação de cadáver de um homem de 45 anos, que costumava pernoitar num edifício inacabado no Porto.