Autora de "Purga em Angola" apresenta queixa-crime por difamação contra viúva Agostinho Neto

Lisboa, 01 Fev (Lusa) - Dalila Cabrita Mateus, co-autora do livro "Purga em Angola", apresentou uma queixa-crime por difamação contra a viúva do antigo Presidente angolano Agostinho Neto por declarações que deu à revista Única do jornal Expresso, anunciou hoje a escritora.

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"Apresentei uma queixa-crime ontem à noite (quinta-feira à noite) no DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) porque me senti difamada", disse à Agência Lusa Dalila Cabrita Mateus.

"Senti-me ofendida porque (Maria Eugénia Silva Neto) chamou-me mentirosa e desonesta. É o meu nome e o meu trabalho que está em causa", sublinhou.

Em declarações à revista Única, do semanário Expresso, no passado dia 05 de Janeiro, Maria Eugénia Silva Neto disse, numa referência atribuída pelos autores da entrevista a Dalila Cabrita Mateus, "essa senhora é desonesta e mentirosa".

No seu livro, "A Purga de Angola", Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus afirmam que os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola, que provocaram milhares de mortos, foi um "contra-golpe" que teve como responsável máximo Agostinho Neto, que temia perder o poder.

Questionada pela Lusa, Dalila Cabrita Mateus afirmou que "continua a defender essa posição".

"O que está no livro está comprovado. Todas as informações estão sustentadas em fontes", acrescentou.

A escritora, investigadora e professora de História disse ainda que acredita na justiça portuguesa.

Dalila Mateus arrolou como suas testemunhas os jornalistas do Expresso Cândida Pinto e José Pedro Castanheira, que entrevistaram a viúva de Agostinho Neto.

As historiadoras e investigadoras Ana Faria e Irene Pimentel, a arquivista Maria de Lurdes Henriques, o editor Carlos Araújo, o coronel João Varela Gomes, militar opositor do Estado Novo, e Maria da Luz Veloso e José Reis, detidos e torturados em Angola em resultado dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977, foram também arrolados como testemunhas.

Contactada pela Agência Lusa, Maria Eugénia Silva Neto, que se encontra em Luanda, recusou-se a prestar declarações.

MCL.


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