Avô português da jovem morta em tiroteio, em Montreal, recorda "menina da cor-de-rosa"

A jovem luso- descendente morta quarta-feira num tiroteio num colégio de Montreal "era uma rapariga excelente e boazinha " e "adorava o cor-de-rosa", relatou hoje à Lusa o avô paterno, José de Sousa.

Agência LUSA /

Anastasia Rebecca de Sousa, nascida a 03 de Junho de 1988 em Montreal, morreu quarta-feira na sequência de ferimentos provocados pelos disparos de um atirador quebequense, Kimveer Gill, num ataque ao colégio Dawson, que provocou ainda 19 feridos, seis dos quais em estado grave. O homicida suicidou-se no local.

A vítima mortal, estudante caloira do Colégio Dawson, onde este mês iniciara o primeiro semestre do curso de Comércio Internacional, encontrava-se na cantina à hora do almoço quando o atirador entrou no edifício e a atingiu com vários disparos.

Anastásia era uma luso-descendente de segunda geração, filha do casal De Sousa e a mais velha de três filhos - irmã de Sarah e Nicholas, de 16 e 11 anos, respectivamente.

O pai, Nelson, nasceu já em Montreal, e a mãe, Louise, é de origem polaca.

O apelido português de Anastasia é uma herança do avô paterno, emigrante há 44 anos no Canadá, com a mulher Maria Leonor Reis, ambos naturais da freguesia de Rabo de Peixe, na ilha de S. Miguel, Açores, mas actualmente divorciados.

"Nunca esquecerei a Anastasia, a minha primeira neta.

Era uma rapariga excelente, muito boazinha. Gostava muito de cor-de-rosa", lembrou, emocionado, o avô paterno.

Ainda incrédulo com a perda da neta, José de Sousa contou à Lusa ter ficado profundamente chocado quando se deparou com o corpo na morgue, recordando ainda a última vez que a viu em vida.

"Foi há algumas semanas quando eles [filho, nora e netos] fizeram uma visita à minha casa", durante a qual José de Sousa fez um churrasco e todos confraternizaram.

José de Sousa lembrou que, antes de Anastasia partir, para férias em Cuba, em Agosto passado, a avisou "para ter cuidado lá", devido à instabilidade que ali se vivia naquele momento, dadas as alterações de poder com a doença de Fidel Castro.

Abalada pela tragédia, a família tem recebido centenas de manifestações de conforto e de solidariedade nos últimos dias na sua casa nos arredores de Montreal, assim como uma avalancha de repórteres a pedirem reacções e informações sobre a filha.

A bonita jovem Anastasia era conhecida, desde pequena, pelo seu gosto pelo cor-de-rosa, procurando usar sempre uma peça de vestuário desse tom, mesmo quando o rigor dos uniformes escolares o impediam.

Professores, citados pela Imprensa, recordam que ela furava frequentemente as apertadas regras, recorrendo, por exemplo, a meias daquela cor.

O cor-de-rosa e muitas rosas têm estado patentes nas várias cerimónias de homenagem à jovem e nas vigílias que se têm realizado nos últimos dias em diversos pontos da área de Montreal.

As cerimónias fúnebres de Anastasia iniciam-se segunda-feira à tarde (hora local) num complexo funerário na área de residência da família De Sousa, em Laval, a Norte de Montreal, estando prevista a presença de milhares de pessoas - incluindo alunos do colégio Dawson -, para apresentarem as condolências à família.

A missa e cortejo fúnebre terão lugar terça-feira, na igreja polaca Nossa Senhora de Czestochowa, em Montreal.

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