Bactéria em dois doentes fecha cuidados intensivos no Santa Maria
A unidade de cuidados intensivos de gastrenterologia do Hospital Santa Maria (Lisboa) está encerrada desde sexta-feira devido a uma bactéria hospitalar detectada em dois doentes, que acabaram por falecer, mas devido às doenças que tinham, revelou fonte médica.
Segundo a mesma fonte, a reabertura da unidade está prevista para sexta-feira.
O director clínico do Hospital Santa Maria, José Mendes Do Vale, explicou à Agência Lusa que a bactéria (acinetobacter) foi identificada na quinta-feira passada em dois doentes que estavam internados naquela unidade, com patologias muito graves.
Um dos doentes tinha uma cirrose hepática com falência multi-orgânica e o outro apresentava uma pancreatite necrótica com abcesso, estando ambos em estado muito grave e com várias bactérias identificadas, além da acinetobacter.
Por se tratar de uma bactéria hospitalar que pode transmitir- se a outros doentes, nomeadamente através de material contaminado, a direcção do hospital e a Comissão de Controlo e Infecção Hospitalar optaram por suspender a transferência de doentes para aquela parte da unidade de cuidados intensivos que, normalmente, acolhe os doentes mais graves, o que aconteceu sexta-feira.
Desde então, aquele espaço apenas acolheu os dois doentes em que foi identificada a bactéria, os quais viriam a falecer, mas "devido às doenças que tinham e não por causa da acinetobacter".
"Não se pode estabelecer nenhuma ligação entre a bactéria e a causa de morte", afirmou José Mendes do Vale, esclarecendo que os doentes eram oriundos de outros hospitais onde tinham estado internados e que já estavam infectados quando chegaram ao Hospital Santa Maria.
O director clínico adiantou que os hospitais onde estes dois doentes estiveram internados já foram, entretanto, informados da presença da bactéria.
A unidade de cuidados intensivos de gastrenterologia será reaberta na sexta-feira, pelo menos 24 horas após a limpeza.
José Mendes Do Vale esclarece que a presença deste tipo de bactérias - que são resistentes aos antibióticos - é muito comum em unidades de cuidados intensivos hospitalares e não significa a infecção de doentes.
No entanto, defendeu medidas profiláticas, como a limpeza dos espaços, e reforçados cuidados de higiene dos profissionais que lidam com estes doentes.