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Bactérias resistentes estão a aumentar em Portugal

Bactérias resistentes estão a aumentar em Portugal

As bactérias staphylococcus aureus e escherichia coli, organismos responsáveis por infecções hospitalares e resistentes a antibióticos, aumentaram em Portugal entre 2004 e 2005, de acordo com um relatório a que a agência Lusa teve acesso.

Agência LUSA /

Segundo o relatório anual de 2005 do Sistema Europeu de Vigilância da Resistência Antimicrobiana (EARSS), o organismo multi- resistente que teve maior crescimento em Portugal foi a bactéria escherichia coli.

A escherichia coli é uma das bactérias mais frequentes nos hospitais, sendo comum nas infecções urinárias adquiridas no meio hospitalar.

Em 2005 foram isolados 1.171 casos em 19 laboratórios, mais 417 isolamentos do que os verificados no ano anterior.

O segundo organismo multi-resistente com maior detecção em Portugal, durante o ano de 2005, foi o staphylococcus aureus.

Em 2005 foram isolados em 19 laboratórios 1.153 bactérias staphylococcus aureus, mais 90 casos do que em 2004.

O staphylococcus aureus é uma bactéria que coloniza a pele a cerca de 30 por cento dos humanos, sendo a bactéria mais resistente a antibióticos.

Também em crescimento está o streptococcus pneumoniae, tendo em 2005 sido isolados 202 casos em 13 laboratórios, o que significa um aumento de 36 situações relativamente a 2004.

Esta bactéria é responsável por doenças em crianças e jovens, pessoas idosas e outras com problemas de imunodeficiências e ainda pela maior parte das pneumonias no Mundo.

De acordo com as conclusões do relatório do EARSS, rede internacional de sistemas nacionais de vigilância antimicrobiana, na Europa a resistência à penicilina do streptococcus pneumoniae continua a mudar.

Contudo, o relatório, com dados de 30 países europeus, indica que nos países que anteriormente apresentaram maior prevalência desta bactéria, a situação melhorou porque houve uma diminuição da resistência à penicilina.

Quanto ao staphylococcus aureus, o relatório indica que foi registado um aumento significativo na detecção desta bactéria em 12 países, nos últimos sete anos.

No entanto, a França e a Eslovénia têm conseguido reduzir a incidência desta bactéria nos últimos anos.

Sobre a escherichia coli, o relatório conclui que na maioria dos países a resistência aos tratamentos continua a aumentar, mesmo nos Estados com taxa de incidência acima dos 60 por cento.

De acordo com dados dos hospitais Universitários de Leeds e da Universidade de Leeds, no Reino Unido, verificam-se três milhões de infecções por ano na União Europeia, das quais resultam cerca de 50 mil mortes.

Em Portugal e de acordo com uma proposta do Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Infecções Relacionadas com os Cuidados de Saúde (PNPCIRCS), da Direcção-Geral de Saúde (DGS), oito em cada cem doentes internados nos hospitais portugueses são vítimas de infecção.

Segundo a proposta de programa "a prestação de cuidados de saúde, quer em meio hospitalar, quer nos centros de saúde ou em regime de ambulatório, pode dar origem à transmissão de infecções".

Estas infecções, designadas por "Infecção Relacionada com os Cuidados de Saúde" (IRCS), constituem uma "das principais causas de morte em todo o mundo".

De acordo com o último inquérito nacional realizado em 2003 e que envolveu 67 hospitais e 16.373 doentes, "identificou-se a prevalência da IRCS de 8,4 por cento dos doentes e uma prevalência de 22,7 por cento de doentes com infecção adquirida na comunidade".

Números que não diferem muito dos dados recolhidos noutros países: o último inquérito conduzido em 2005 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 55 hospitais de 14 países revela que 8,7 por cento dos doentes internados têm possibilidade de adquirir uma infecção relacionada com os cuidados de saúde.

Nos países europeus, a prevalência oscila entre os cinco e os 10 por cento, refere o documento.


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