Bairro da Serra das Minas e da Rinchoa vistos como foco de criminalidade pelos moradores (C/FOTOS)
Sintra, 31 Jan (Lusa) - Comerciantes e moradores de Rio de Mouro, Sintra, temem assaltos de grupos de jovens e apontam os bairros sociais da Serra das Minas e da Rinchoa como principais focos de criminalidade que afectam esta localidade.
Na noite de domingo dois jovens morreram baleados em Rio de Mouro, frente à estação de comboios, após uma rixa entre um grupo desta localidade e outro do Cacém. A polícia deteve um suspeito de 16 anos que se encontra em prisão preventiva.
Maria Barroso, de 77 anos, residente em Rio de Mouro há 60 anos adiantou à Lusa que "a Serra das Minas, a Rinchoa e a estação de comboios" são os principais locais onde estes jovens se concentram.
"Aqui em frente à estação, às vezes, é um mar de gente, cada um com o seu cão" disse à Lusa esta moradora que "a partir das nove da noite" não se atreve a sair à rua.
Um comerciante que não se quis identificar adiantou à Lusa não temer os assaltos pois em sete anos nunca teve qualquer problema do género.
"Tenho o café há 7 anos e nunca aqui houve qualquer assalto, mas já ouvi pessoas comentarem que nesta zona está cada vez pior", referiu.
Já a proprietária de uma papelaria disse só ter "medo de andar por ali à noite".
"Eles [jovens] por vezes são tantos que só de os ver tenho medo", disse esta comerciante garantindo nunca ter sido assaltada embora "já tenha ouvido falar de casos desses".
Vários moradores de Rio de Mouro disseram à Lusa que o Bairro da Serra das minas é um dos principais causadores da criminalidade que afecta esta localidade, principalmente junto à estação de comboios.
Um grupo de três amigos residentes na Serra das Minas adiantou à Lusa que o confronto de domingo passado, ao contrário do que tem sido dito na comunicação social "não tem nada a ver com negócios de droga".
"É mesmo para saber qual é o bairro mais forte. Não tem nada a ver com droga", disse Anilton Lopes de 16 anos.
Pedro, de 17 anos, reside na vila de Sintra e frequenta um curso de Informática no novo centro comunitário do bairro da Serra das Minas e garantiu à Lusa que o bairro "não é assim tão mau como se diz", embora haja zonas que não frequenta.
"Claro que tenho receio embora nunca tenha sido assaltado, mas vemos por aí crianças de 10 anos em posse de facas", referiu.
Segundo este estudante, existem "alguns grupos com menos de 20 anos que não frequentam a escola e passam o dia a vender droga".
"Vender droga aqui é como vender batatas", disse, acrescentando que já por inúmeras vezes foi abordado nesse sentido.
Durante a visita ao bairro a Lusa falou com Helena Adão residente na Serra das Minas há dez anos e mãe de quatro filhos de 9,13,16 e 20 anos.
Esta mãe garantiu que o bairro é sossegado e um bom sítio para morar com os seus quatro filhos que, ao contrário de muitos jovens do bairro, se encontram a estudar.
"Dei-lhes uma educação religiosa e eles continuam a estudar e não andam por aí sem fazer nada", referiu.
Já o dono de um café discorda que o bairro seja sossegado e adiantou já ter sido assaltado "uma data de vezes" desde que há cinco anos comprou o seu estabelecimento.
"Há aqui uns grupos, que toda a gente conhece, já me roubaram a caixa registadora durante o dia e à frente de toda a gente" disse, acrescentando que actualmente isso já não acontece porque já o conhecem.
O capitão da GNR do Destacamento Territorial de Sintra negou, em declarações à Lusa a existência de gangues em Rio de Mouro e garantiu que o duplo homicídio de domingo à noite na estação dos comboios foi um acto isolado.
Também o padre Carlos, da Igreja Matriz de Rio de Mouro, afirmou que o duplo homicídio foi um caso esporádico.
"Não tenho grande noção da situação em Rio de Mouro. Ouço falar de assaltos, mas coisas muito esporádicas", referiu o padre Carlos.
Hoje, à meia-noite, a GNR dá lugar à PSP na jurisdição de Rio de Mouro, passando de 30 guardas para cerca de 55 agentes da polícia.
O suspeito de ter morto dois jovens na noite de domingo em Rio de Mouro ficou em prisão preventiva, depois de ter sido ouvido hoje no tribunal de Sintra, segundo fonte da Polícia Judiciária (PJ).
O jovem, de 16 anos, residente no Cacém, vai ficar no Estabelecimento Prisional de Lisboa.
Em resposta à questão "Qual é a criminalidade que mais o preocupa hoje?", numa recente entrevista à revista Visão, o Procurador-Geral da República afirmou, nomeadamente, que "o mais preocupante nas grandes cidades vai ser a criminalidade violenta e grupal e a delinquência juvenil".
"Tenho muito receio dos bairros periféricos de Lisboa. Ou se começa já a tomar medidas ou ainda acontece o que aconteceu em Paris", acrescentou Pinto Monteiro, numa alusão a situações de violência ocorridas na capital francesa.