Barco português retido por seis trabalhadores africanos que se dizem enganados pelo armador

Um barco de bandeira portuguesa está há 10 dias retido no porto de Vigo, na Galiza, devido ao protesto de seis pescadores africanos por alegadamente terem sido "enganados" pelo armador no pagamento da faina, disse à Lusa fonte sindical.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Segundo Fernando Afonso, da Confederação Intersindical Galega, o patrão teria prometido pagar àqueles trabalhadores 800 euros por mês, mas, no final de três meses de faina, apenas lhes queria dar 400 euros.

O barco chama-se "Bravo Aveiro" e pertence à empresa "Farline".

"Estamos a falar de 400 euros pelos três meses, o que é uma coisa verdadeiramente inconcebível", criticou Fernando Afonso.

Os trabalhadores - dois de Cabo Verde e quatro do Senegal - sentiram-se enganados e decidiram reter o barco, no porto de Vigo, "até receberem o que lhes é devido".

De acordo com o sindicalista, o armador teria prometido que aqueles trabalhadores iriam pescar em águas africanas, mas, entretanto, levou-os para águas europeias, alegando que ali teriam "um contrato melhor".

"Foi um logro autêntico", denunciou o sindicalista.

Nestes dez dias, os trabalhadores "barricaram-se" no barco, onde "vivem em condições desumanas e já com falta de alimentos".

Disse ainda que o contrato que o armador firmou com eles "não tem qualquer valor legal", pelo que, neste momento, os trabalhadores encontram-se "abandonados à sua sorte, sem dinheiro, sem comida, sem contrato e sem possibilidades de regressarem aos seus países de origem".

Segundo Fernando Afonso, o armador prometeu que "poria todas as contas em dia" quinta-feira, pagando os 800 euros por cada mês de trabalho e disponibilizando os bilhetes para os seis pescadores poderem regressar a casa.

"Vamos esperar para ver", acrescentou, garantindo que os sindicatos vão participar esta situação à Capitania e à Inspecção do Trabalho.


PUB