Barcos-frigoríficos já recolheram 2.500 toneladas de atum pescado nos Açores para vender nos mercados internacionais
A maior parte do atum que tem sido pescado no mar dos Açores está a ser recolhido e armazenado em quatro navios-frigoríficos que estão ancorados na baía da Horta, no Faial.
A operação, realizada em parceria com empresas açorianas, já permitiu recolher mais de 2.500 toneladas de atum das espécies patudo e voador, que será vendido nos mercados internacionais, especialmente em Espanha e no Japão.
Carlos Ávila, da Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores (APASA), afirmou à Lusa que os armadores estão "satisfeitos" com esta solução, que permitiu obter "preços mais vantajosos" na venda daquele peixe.
"O problema é que os preços não são sempre iguais", acrescentou Carlos Ávila, salientando que os armadores dos navios-frigoríficos valorizam o pescado conforme a dimensão, a quantidade e o estado de conservação.
A venda do atum pescado nos Açores a navios-frigoríficos estrangeiros teve início no ano passado, na altura de forma experimental, e apenas com uma embarcação, mas o sucesso dessa operação levou a que este ano estejam quatro navios autorizados a operar na região.
Para Marcelo Pamplona, subsecretário regional das Pescas, esta solução permite "valorizar" o pescado capturado pelos atuneiros açorianos, salientando que foram autorizados quatro navios apenas porque estão ligados a empresas açorianas.
Marcelo Pamplona garantiu ainda que toda a operação está a ser coordenada e acompanhada pelas autoridades regionais.
"A descarga do atum é acompanhada a bordo por funcionários da lota", frisou, acrescentando que a Inspeção Regional das Pescas está envolvida para assegurar que a operação decorre "de acordo com as normas comunitárias".
As duas espécies de atum descarregadas nos quatro navios não têm interesse para a indústria conserveira regional, que procura especialmente o atum bonito, uma espécie que surge mais tarde em águas açorianas.
O atum capturado nos Açores é pescado através do método de `salto e vara`, com canas de pesca e isco vivo, uma forma tradicional e ecológica de pesca, e é acompanhada por observadores formados pela Universidade dos Açores, o que permite garantir a ostentação do símbolo `dolphin-safe` nas conservas açorianas.