Barreiras físicas dificultam contratação de deficientes

A existência de barreiras físicas no local de trabalho leva muitas empresas a recusar emprego a trabalhadores com deficiência, indica um estudo divulgado hoje.

Agência LUSA /

O estudo do Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração de Pessoas com Deficiência (SNRIPD) foi realizado entre Outubro de 2004 e Janeiro deste ano e envolveu entrevistas a 40 empresas e a 24 entidades que têm intervenção na integração de pessoas com deficiência.

O trabalho foi divulgado no seminário sobre Responsabilidade Social das Empresas na Integração de Pessoas com Deficiência, organizado pelo SNRIPD.

Questionados sobre a razão porque a maioria das empresas portuguesas não emprega trabalhadores com deficiência, 45 por cento dos empresários inquiridos apontaram como principais receios e dificuldades a existência de barreiras físicas e os problemas de adaptação dos postos de trabalho.

As barreiras económicas foram outro problema levantado por 20 por cento das empresas para justificar a baixa adesão dos empregadores à integração daqueles trabalhadores.

"Embora a situação do emprego de pessoas com deficiência em mercado aberto ainda seja claramente deficitária em termos de existência de uma disponibilidade franca e generalizada por parte dos empregadores face à integração, existe uma percepção generalizada que a situação pode (e estará) a evoluir de forma positiva", refere o documento.

No entanto, acrescenta, isto não faz com que a maioria das empresas empregue ou genuína e credivelmente considere empregar, no curto prazo, pessoas com deficiência.

Quase metade dos empresários ouvidos considera que os contactos personalizados com os gestores das empresas ou responsáveis pelos recursos humanos seriam a melhor forma para sensibilizar o tecido empresarial para o emprego destas pessoas.

Para 65 por cento dos inquiridos, o Estado deve actuar como regulador do mercado criando condições para o emprego destes trabalhadores.

O documento revela ainda que a maioria dos agentes que opera na área de deficiência é contra o princípio da obrigatoriedade das quotas, enquanto para os empregadores esta questão não parece ser um problema tão significativo.

Presente no seminário, a secretária de Estado-adjunta e de Reabilitação, Idália Moniz, admitiu que as medidas que têm vindo a ser implementadas pelo Estado nos últimos anos para a integração de pessoas com deficiência nas empresas têm sido "manifestamente insuficientes para aumentar o acesso e a manutenção do emprego no mercado normal de trabalho".

Idália Moniz apontou como exemplos dessas medidas a reabilitação e a formação profissional, a criação de quotas para pessoas com deficiência no mercado de trabalho, os subsídios de prémios e isenções fiscais e a redução das taxas contributivas para a segurança social.

Em declarações à Agência Lusa, à margem do seminário, Cristina Louro, do SNRIPD, adiantou, por seu turno, que os empregadores não conhecem a legislação de apoio.

"Apesar da legislação em Portugal ser forte, assim como os apoios, não estão suficientemente divulgados juntos dos empregadores", sustentou, defendendo a realização de campanhas de sensibilização e informação para a integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Dominique Be, da Direcção-Geral do Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades da Comissão Europeia, disse à Lusa que a grande maioria das empresas ainda não está sensibilizada para esta temática.

"Tem havido uma evolução, mas verifica-se apenas num número limitado de empresas", adiantou o responsável.

Durante o seminário, foi lançado um manual feito pelo Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial (GRACE) intitulado "A Integração de pessoas com deficiência nas empresas", que pretende ser um apoio aos empregadores.

"Uma empresa que quer começar a encarar a contratação de pessoas pode contar com o manual como uma ferramenta, onde pode encontrar tudo sobre como o deve fazer", explicou à Lusa, João Reis, da GRACE.

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