Basílica dos Mártires, com mais de 200 anos, vai ser recuperada

A Basílica dos Mártires, edifício do século XVIII situado na Rua Garrett, vai ser alvo de obras de recuperação que se deverão prolongar por dois anos, disse hoje à Agência Lusa o cónego Armando Duarte.

Agência LUSA /

A obra inclui a substituição do telhado e das instalações eléctricas, além da limpeza das fachadas e restauro dos tectos, e tem um custo estimado em dois milhões de euros.

Metade deste valor será suportado pelo Fundo Remanescente de Reconstrução do Chiado, constituído para apoiar a reabilitação de edifícios depois do incêndio de 1988, sendo o restante pago através de ofertas e campanhas realizadas pela paróquia de Nossa Senhora dos Mártires.

A Basílica, concluída em 1786, "está bastante deteriorada porque a vida no Chiado não tem sido fácil", lamentou o cónego Armando Duarte.

"Com as obras do Metro e a construção de parques de estacionamento, as pessoas começaram a vir menos ao Chiado e as igrejas deixaram de ter paroquianos residentes, vivendo apenas das esmolas das pessoas que passam", afirmou, explicando que por isso a Basílica "deixou de ter dinheiro para as obras de recuperação".

Segundo o cónego, a intervenção nos telhados, fachadas e tectos deverá estar concluída até ao final deste ano, prosseguindo depois as obras "em dependências a que o público não tem acesso, mas que têm os tectos deitados abaixo por causa de infiltrações".

Armando Duarte admite que a Basílica venha a estar encerrada "talvez durante dois meses", período necessário à instalação dos andaimes no interior.

A Basílica nasceu de uma das três igrejas construídas por Dom Afonso Henriques depois da conquista de Lisboa aos mouros, em 1147.

"A igreja primitiva (situada onde é hoje a Faculdade de Belas Artes, no Chiado) foi construída sobre o cemitério dos martirizados na conquista de Lisboa e desde sempre houve o culto a Nossa Senhora dos Mártires", adiantou o cónego.

Salientou que foi nesta paróquia que "se administrou o primeiro baptismo" da Lisboa cristã.

A Basílica "sempre foi o santuário de Lisboa" e, depois do terramoto de 1755, "o Marquês de Pombal teve a preocupação de reconstruir a igreja, mas numa zona mais chique, para ter mais visibilidade".

Na próxima quinta-feira decorre uma cerimónia para invocar a bênção de Deus durante os trabalhos, altura em que será descerrada, nas telas que envolvem os andaimes exteriores, a reprodução da imagem do Beato Nuno de Santa Maria, cujo processo de canonização está a decorrer.

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