BE apresenta projecto para prevenir gravidez adolescente em Portugal
O Bloco de Esquerda vai entregar um projecto que recomenda ao Governo um estudo sobre a gravidez adolescente e a criação de um plano de prevenção do fenómeno que em Portugal atinge os 6 por cento.
"Nestas idades, as meninas deviam estar na escola. Portugal é o segundo país da União Europeia com maior taxa de gravidez na adolescência. Nós pensamos que deve ser feito o diagnóstico da situação concelho a concelho e que desse es tudo deve sair um plano de prevenção", defendeu a deputada Helena Pinto.
Helena Pinto falava aos jornalistas no final de uma visita à consulta d a gravidez adolescente da Maternidade Alfredo da Costa, Lisboa, que regista por ano 120 partos de grávidas com uma média de idades de 16 anos.
"A criminalização do aborto contribuiu em muito para que esta realidade não fosse conhecida. A clandestinidade a que muitas jovens eram forçadas impedi a que se tomassem medidas adequadas", refere o BE no projecto de resolução.
"A dimensão deste problema coloca como imperativo que se estude, se faç a o diagnóstico e em consequência se elabore um Plano Nacional de Prevenção da G ravidez na Adolescência", acrescenta.
O Plano, propõe o BE, deve ser elaborado por um grupo de especialistas ao nível da Saúde e Educação e deve "garantir no imediato pelo menos um serviço de atendimento e aconselhamento a jovens em cada concelho".
O projecto defende a promoção de campanhas de "informação e sensibiliza ção dirigidas a adolescentes e jovens sobre saúde sexual e reprodutiva, regulare s e devidamente avaliadas" e a inclusão da prevenção da gravidez na adolescência em todos os programas de luta contra a pobreza.
Inserida nas jornadas parlamentares do BE, a visita à Maternidade Alfre do da Costa (MAC) teve como objectivo, segundo Helena Pinto, "conhecer uma exper iência muito positiva" de prevenção da gravidez na adolescência - o projecto "Ma is vale prevenir" que integra uma equipa de médicas, enfermeiras, psicólogas, e assistentes sociais.
Em declarações aos jornalistas, Fátima Paula, que integra a equipa, afi rmou que a maioria das meninas que chegam à consulta "já não vão à escola e não cumprem sequer a escolaridade obrigatória".
A equipa acompanha a adolescente mesmo depois de a criança nascer, no s entido de promover a contracepção, já que o risco de uma segunda gravidez na ado lescência é grande, referiu a médica.
Na maioria, são adolescentes provenientes de "um meio sócio-económico b aixo" e apenas um terço é acompanhado na consulta pelo namorado. A média de idad es das grávidas é de 16 anos, mas a equipa já atendeu uma menina de 11 anos.
Um terço das adolescentes atendidas pelo projecto "Mais vale prevenir" precisa de acompanhamento psicológico.
De acordo com aquela profissional, 10 por cento das adolescentes pede p ara interromper a gravidez, mas chega à consulta já depois das dez semanas.
A nova lei, aprovada quinta-feira no Parlamento, permite a interrupção da gravidez a pedido da mulher até às dez semanas.
Nos três anos que leva o projecto, perante um pedido para interromper a gravidez, a equipa encaminhava a jovem para uma consulta de pedopsiquiatria, on de eram avaliados os riscos para a saúde física e psíquica da mulher, como previ a a lei antiga.